O grupo chinês SAIC vai instalar na Corunha, no norte de Espanha, a sua primeira fábrica de carros elétricos na Europa, anunciou hoje o governo regional da Galiza.
A SAIC pediu oficialmente ao governo galego a construção do primeiro centro industrial e logístico na Europa de carros elétricos da marca MG, num investimento de 200 milhões de euros, disse o executivo regional.
A fábrica terá instalações tanto no porto de Ferrol como no município de As Pontes e a estimativa é que produza anualmente 120 mil automóveis, revelou o próprio presidente da Junta da Galiza, Alfonso Rueda, numa conferência de imprensa.
Por ser considerado um “projeto industrial estratégico”, os processos administrativos de licenciamento serão acelerados e as obras deverão arrancar em 2027, com o objetivo de a fábrica estar operacional antes do final de 2028, segundo o executivo regional.
Alfonso Rueda sublinhou que o projeto deverá levar à criação de 2.300 postos de trabalho.
Nas últimas semanas, várias fabricantes de automóveis chineses disseram ter intenção de produzir na Europa, para conquistar o mercado europeu.
Em 20 de maio, o grupo franco-italo-americano Stellantis (Peugeot, Fiat, Opel, Jeep, Citroën, Chrysler) anunciou um memorando de entendimento com a Dongfeng para distribuir veículos elétricos deste grupo chinês na Europa e produzi-los na sua fábrica de Rennes, no oeste de França.
Outros fabricantes europeus, como a Volkswagen, poderão abrir as suas fábricas para produção de modelos chineses, admitem os analistas do setor, que sublinham que por causa da queda nas vendas, as unidades industriais na Europa têm atualmente uma sobrecapacidade de produção média de 50%.
Numa deslocação à China em abril, a quarta visita ao país desde 2023, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reuniu-se em Pequim com uma dezena de empresários chineses para promover Espanha como destino de investimento.
Um dos objetivos reiterados pelo primeiro-ministro espanhol nos últimos anos, e que voltou a sublinhar num discurso na Universidade Tsinghua, é o reequilíbrio da relação económica com a China, tanto ao nível do comércio como do investimento.
O comércio bilateral entre os dois países ascende a cerca de 60 mil milhões de euros, sendo que o défice comercial espanhol com a China ronda os 40 mil milhões de euros.
Neste contexto, Sánchez defende que as autoridades chinesas abram mais o seu mercado a produtos estrangeiros, uma prioridade tanto para Espanha como para a União Europeia.
No encontro participaram representantes das empresas Changan Motors, SAIC Motors, Ming Yang Smart Energy Group, Hithium, Junan Yuneng New Energy Battery Material, DataCanvas, EHang, Gotion High-Tech, Tianqi Lithium e XPeng.
Lusa
Créditos Foto: Republicworld
