Rali de Portugal: Baltar congrega “bichinho” de milhares no ‘shakedown’ de Neuville

Milhares de aficionados, entre os que acompanham a modalidade há décadas e os estreantes, concentraram-se hoje em Baltar para o ‘shakedown’ do Rali de Portugal, em que o belga Thierry Neuville foi o piloto mais rápido.

No Kartódromo do concelho de Paredes, o campeão mundial de 2024, num Hyundai i20, completou o percurso de 5,72 quilómetros em 3.51,2 minutos, menos 0,3 segundos do que o finlandês Sami Pajari (Toyota Yaris), menos 0,5 do que o francês Adrien Fourmaux (Hyundai i20) e menos 0,6 face ao letão Martins Sesks (Ford Puma) e ao líder do Campeonato do Mundo (WRC), o galês Elfyn Evans (Toyota Yaris).

Dezenas de pilotos, entre os quais os 14 portugueses, ‘desfilaram’ na prova de aquecimento para as classificativas que se realizam entre quinta-feira e domingo, perante uma multidão que se distribuía pela bancada e pela extensa área ajardinada e alcatroada.

Entre geleiras, sacos e mesas desmontáveis, os espetadores petiscavam e bebiam ao som dos estrépitos dos motores, com Cátia Barbosa, de 36 anos, e as suas filhas, Vanessa Mendes, de 16, e Sofia Santos, de quatro, a acomodarem-se em três cadeiras frente à rede que as separava do troço asfaltado do circuito.

“É o segundo ano que vimos ao ‘shakedown’. A primeira vez que assisti a um rali foi em 2012, no Rali Sprint de Fafe. A partir de 2014, comecei todos os anos a ir a Fafe. É complicado levá-las a Fafe, porque temos um grupo com várias pessoas, acampamos e ficamos de um dia para o outro. Quero-lhes passar este ‘bichinho’”, diz à Lusa a aficionada dos ralis, proveniente de Gondomar.

Ciente de que a atmosfera em torno do ‘shakedown’ é “mais controlada” no autódromo do que em Fafe, Cátia vê Paredes como o local indicado para passar o conhecimento dos ralis às filhas, que vão ainda à Exponor, base logística do rali, na sexta-feira à noite, numa visita que não será inédita.

“Cresci com isto. Quando era pequenina, ia a concentrações. Depois, comecei a ir à Exponor, a ter a noção de quem eram os pilotos. A paixão foi crescendo, porque, desde pequenina, fui habituada aos ralis”, esclarece Vanessa.

Num outro setor da ‘plateia’, um homem ostenta um casaco em que sobressai a inscrição em inglês “if in doubt, flat out” (em caso de dúvida, acelera a fundo, em português), célebre lema do malogrado piloto escocês Colin McRae, campeão mundial de ralis em 1995 e vencedor do Rali de Portugal em 1998 e 1999.

Aos 62 anos, João Oliveira leva mais de 45 anos a ver ralis, sobretudo em Portugal, mas também em Espanha, no Mónaco, na Alemanha e na Finlândia, e diz que nenhum condutor o encantou como McRae, lembrando a edição de 1999, em que o escocês, em Ford Focus, superou o espanhol Carlos Sainz (Toyota Corolla), por 12 segundos.

“Na dúvida, não travava. Acelerava. Era fora do normal”, recorda o aficionado oriundo de Braga, vincando que assiste a praticamente todas as edições do Rali de Portugal desde que completou 18 anos e passou a ter carta de condução.

Conhecido como Aparício, por alcunha de família, João encarregou-se da logística para um grupo de 15 pessoas, oriundas de Lisboa, Entroncamento, Aveiro, Viseu, Braga, Famalicão e Catalunha, que envolve pernoitas no parque de campismo de Arganil e numa casa de turismo rural em Vieira do Minho, que servirá de ‘base’ para as classificativas do fim de semana, no Norte.

“Devo contabilizar mais ou menos 500 ralis. Faço, mais ou menos, 10 por ano, muitos do campeonato nacional”, realça, enaltecendo o entusiasmo do público luso para com o Rali de Portugal, este ano a sexta etapa do WRC.

Na parte menos lotada da bancada, Filipe Leal, Filipe Sobral, Toni Kekkonen e Ossi Lammela constituem uma ‘cimeira’ luso-finlandesa, após viajarem de Turku, cidade 170 quilómetros a oeste de Helsínquia.

De boné na cabeça, Ossi Lammela já assistiu ao Rali de Finlândia, em Jyväskylä, e assiste pela primeira vez à prova portuguesa, na sua segunda vez no país, enquanto Toni Kekkonen espera “muito barulho, carros velozes e um tempo entretido”, numa competição em que tem um piloto preferido.

“Pajari é o melhor, mas há muito bons pilotos, portanto não sabemos o que vai dar”, projetou.

O finlandês mostrou-se rápido no ‘shakedown’, evento aproveitado pelas equipas para as últimas afinações nos carros, num rali que conta ainda com o francês Sebastien Ogier (Toyota Yaris), recordista da prova, com sete triunfos.

De quinta-feira até domingo, o Rali de Portugal estende-se por 344,91 quilómetros cronometrados, de Águeda até Fafe, percorrendo o centro e norte do país.

Lusa

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