- Maria Luís Gameiro completou a longa Etapa 2 Yanbu–AlUla com o 56.º tempo na categoria Ultimate, num dia que poderia ter dado um resultado brilhante.
- Ao longo dos 400 km cronometrados, a dupla Maria Luís / Rosa Romero começou de forma regular, ganhou ritmo progressivamente ganhando inúmeras posições, até ser abalroada por um camião ao km 300.
- Os danos no MINI JCW T1+ da X-Raid foram extensos mas Maria Luís conseguiu chegar ao bivouac com o 56.º tempo final e aposta em nova “remontada” já amanhã
A Etapa 2 do Dakar 2026, podia ter sido um dia marcante pela positiva para a dupla Maria Luís Gameiro e Rosa Romero. Depois de uma longa tirada entre Yanbu e AlUla, com 400 quilómetros cronometrados e mais de uma centena de quilómetros de ligações, a piloto portuguesa, ao volante do MINI JCW T1+ da X-Raid, terminou o dia no 56.º lugar da categoria Ultimate, um resultado que não reflete de modo algum o excelente andamento apresentado.
A especial começou com um andamento regular, num ritmo em crescendo que permitiu a Maria e Rosa ganharem dezenas de posições. À medida que os quilómetros avançaram, a confiança no MINI e na navegação foi crescendo e a dupla chegou mesmo a rodar entre os 40 mais rápidos, operando uma recuperação notável. Foram inúmeros os carros ultrapassados no que prometia ser um resultado digno de nota. Infelizmente, ao quilómetro 300, o azar abateu-se sobre a dupla Maria Luís / Rosa Romero. Um camião abalroou o MINI JCW T1+, provocando muitos danos. A tripulação do camião, que tinha saído 40 posições à frente de Maria Luís, perdeu-se, e na busca do trilho certo, embateu com violência no Mini magenta. A frente do carro ficou severamente danificada e o depósito do óleo dos travões perdeu fluido e as duas suspensões do lado esquerdo. Além das reparações possíveis na frente do carro, Maria Luís foi obrigada a terminar a etapa sem travões, acumulando mais algumas paragens para tentar segurar o capot.
Apesar do azar, Maria Luís terminou a etapa com o 56º melhor registo. Terem chegado ao fim da etapa foi, só por si, uma vitória, que não apaga a desilusão que o incidente provocou, numa etapa que tinha tudo para sorrir à dupla 100% feminina. Com duas jornadas já cumpridas, e já com um par de histórias impressionante para contar, Maria Luís ocupa o 52º lugar da geral nos Ultimate. A leitura interna da equipa é clara: mais do que a classificação pura, a evolução de ritmo ao longo da etapa, a capacidade de andar no grupo dos 40 mais rápidos, com potencial para mais, e a resistência do MINI JCW T1+ são pontos a realçar neste início de Dakar.
Declarações de Maria Luís Gameiro
No final da etapa, Maria Luís não escondeu o desapontamento pelo incidente, mas revelou-se grata por ter chegado ao finak, após um acidente que poderia ter ditado o fim prematuro da sua participação:
“Podia ter sido um dia memorável. Estávamos com um ritmo excelente, ultrapassamos imensos carros e senti claramente que hoje poderíamos conquistar um ótimo resultado. Infelizmente, um camião abalroou-nos. O impacto foi muito violento e ficámos com a frente do nosso Mini total danificada, externa e internamente, de tal forma que perdemos os travões. A tripulação do camião em questão veio, no final, pedir-nos desculpa por episódio claramente evitável. Felizmente foi apenas um valente susto e muito material estragado, mas podia ter sido bem pior. Apesar da falta de travões, dos danos na frente do carro que nos obrigaram a mais paragens, conseguimos chegar ao fim.
Estamos felizes por ter ultrapassado este incidente, mas estou triste pois sinto que hoje poderíamos ter dado conseguido algo importante. Mas o ritmo que mostramos enche-me de otimismo. Apesar da dureza da etapa, conseguimos ser muito competitivas. A comunicação com a Rosa é cada vez mais fluída e o nosso MINI está revelar-se numa máquina muito resistente e veloz. Seguimos em frente com a motivação em alta, agora que já sentimos que podemos estar bem mais à frente. Vamos continuar a trabalhar para subir na classificação, sem exageros e, espero eu, sem azares.”
O Dakar é habitualmente uma prova onde se criam muitas histórias, umas mais felizes que outras. Hoje, Maria Luís e Rosa Romero viveram um pouco do lado mais assustador do Dakar, mas conseguiram terminar a etapa. Amanhã há mais Dakar pela frente, de preferência sem grandes sustos pelo caminho.
Etapa 3 – o Loop técnico de AlUla
Amanhã, 6 de janeiro, Maria e Rosa permanecem em AlUla para enfrentar a Etapa 3, um loop de 422 quilómetros cronometrados em redor da região. Será uma especial marcada por navegação complexa e terrenos que exigem pilotagem milimétrica, num dia que poderá ser decisivo na construção do Dakar desta dupla. Trata-se ainda da última etapa com assistência mecânica completa antes da primeira etapa maratona, um momento crucial para a X-Raid preparar o MINI para dois dias sem assistência.
A navegação promete ser o grande desafio: planícies de areia com múltiplos trilhos e escassez de referências e waypoints difíceis vão exigir o melhor de Rosa Romero, enquanto Maria terá de confiar plenamente nas notas e nas decisões da sua navegadora. Um erro de navegação pode custar muito tempo. Concentração absoluta, comunicação perfeita e uma boa dose de humildade perante o terreno serão essenciais para completar com sucesso esta etapa técnica e chegar ao final do dia com o MINI inteiro e a moral em alta para o que aí vem.
