Renault, Stellantis e Volkswagen defendem selo “Fabricado na UE” simples e realista

A Renault, a Stellantis e a Volkswagen solicitaram à União Europeia (UE) que simplifique o futuro selo “fabricado na UE” para automóveis, com uma definição “simples, fácil de aplicar e de controlar” que favoreça os veículos fabricados na Europa.

“Queremos oferecer automóveis limpos, acessíveis e tecnologicamente de vanguarda à classe média europeia. E queremos garantir que a Europa continue a ser a potência mundial da indústria automóvel”, assinalam os proponentes numa carta enviada ao Parlamento Europeu, à qual a agência de notícias EFE teve acesso.

A missiva insere-se no debate sobre a iniciativa da Comissão Europeia para impulsionar a indústria automóvel da UE, um dossiê agora nas mãos do Conselho da UE e do Parlamento Europeu, no qual se propõem medidas como a revisão em baixa das exigências de CO2 para automóveis e carrinhas, a eletrificação das frotas de veículos de empresa ou o incentivo à produção na União.

Os três fabricantes apoiam a ideia de caráter protecionista de introduzir requisitos de fabrico europeu, o chamado selo “fabricado na UE”.

“A Europa não se está a fechar. A Europa apenas travou a tendência de continuar a externalizar a produção industrial para países terceiros”, escrevem.

No entanto, alertam que esse selo deve ser concebido para ser “realista” para as empresas e não constituir “uma restrição adicional imposta aos fabricantes europeus de automóveis”, mas sim “uma verdadeira ferramenta para impulsionar a produção da UE”.

Neste sentido, a Renault, a Stellantis e a Volkswagen solicitam uma série de alterações à proposta, como a redução de 85% para 70% do limiar de frota exigido para aceder aos benefícios associados ao selo.

Sugerem que, se 70% da frota de um fabricante cumprir os requisitos num determinado ano, a totalidade dessa frota poderá beneficiar, no ano seguinte, dos incentivos previstos.

Esses 70% deveriam limitar-se geograficamente aos 27 países da UE e aos países do Espaço Económico Europeu (Islândia, Liechtenstein e Noruega), enquanto os restantes 30% ficariam abertos a parceiros industriais externos.

Exigem também que o cálculo do conteúdo europeu não se limite à origem dos componentes, mas tenha em conta o valor acrescentado gerado pelo veículo no seu conjunto.

A Renault, a Stellantis e a Volkswagen solicitam também uma definição mais rigorosa do conceito de montagem europeia, de modo a que não bastem apenas as operações finais de montagem, mas que sejam exigidos processos industriais substanciais, como estampagem, soldadura, pintura e montagem final.

Outro dos pontos centrais da carta é a bateria, o componente mais caro e estratégico do veículo elétrico e uma das áreas em que a Europa procura reduzir a dependência da Ásia.

Os três fabricantes apoiam que as baterias façam parte dos requisitos do selo “fabricado na UE”, mas consideram irrealista exigir células fabricadas na Europa já em 2028.

“Os objetivos propostos pela Comissão são inatingíveis”, afirmam.

Em vez disso, pedem que esta obrigação seja adiada para depois de 2030 e que, entretanto, os fabricantes possam escolher quais os principais componentes da bateria que pretendem fabricar na Europa.

Os três grupos solicitam também que os chamados “supercréditos” de CO2 não se limitem aos pequenos veículos elétricos fabricados na Europa, mas a todos os veículos elétricos “fabricados na UE”, com um bónus para os modelos de menor dimensão.

Esses incentivos, defendem, devem servir para compensar os custos adicionais de produzir na Europa, onde a energia, a mão de obra e os encargos regulamentares são superiores aos de outros centros industriais.

Lusa

Créditos Foto : Autovista 24

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