Primeiro pódio do Lancia Ypsilon em Lisboa, carregado de emoção

· José Pedro Fontes e Inês Ponte sobem ao segundo lugar do CPR, terceiro à geral no Rali de Lisboa com uma recuperação extraordinária no segundo dia.
· Melhor tempo na Power Stage em termos de CPR e três pontos extras confirmam o crescimento do Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale em asfalto.
· Francisco Fontes mostrou velocidade imediata com dois segundos tempos antes de fim prematuro de prova.

O Rali de Lisboa de 2026, a contar para o Campeonato de Portugal de Ralis 2026 (CPR), ficará para sempre associado a um momento de emoção intensa para José Pedro Fontes. O piloto, acompanhado por Inês Ponte, no Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale, conquistou o primeiro pódio pela marca italiana, segundo posto em termos de CPR, um resultado que chegou num momento particularmente difícil a nível pessoal, com o recente falecimento, na sexta-feira, do seu sogro a conferir a esta subida ao pódio um significado muito além do desportivo.
A sexta-feira começou com José Pedro Fontes a procurar o ritmo certo num Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale que não lhe transmitia a confiança necessária para atacar. A afinação não estava ajustada às características dos troços e isso refletiu-se nos tempos: quarto na PEC 1, a 3,3 segundos do líder, e queda para o sétimo lugar na PEC 2. O piloto veterano reconheceu o problema e optou por gerir, não forçar um ritmo que o carro ainda não permitia. As PEC 3 e 4 trouxeram uma ligeira recuperação, com uma subida ao sexto lugar. Ao final do dia o défice para a liderança era de 20 segundos. A equipa sabia que havia trabalho a fazer durante a noite.
Com a afinação corrigida entre etapas, José Pedro Fontes regressou à estrada no sábado transformado. Quarto tempo na PEC 6, quarto empatado com o adversário na PEC 8, com as distâncias para o topo a diluírem-se. A recuperação era confirmada com o segundo tempo absoluto na PEC 9, a apenas 0,3 segundos do vencedor do troço. Este desempenho, aliado às dificuldades alheias, catapultou Fontes para o quarto lugar da geral, a apenas dois segundos do pódio à entrada da Power Stage.
A PEC 10 — Sintra/Almargem do Bispo, designada como Power Stage — foi o palco do corolário de uma recuperação extraordinária. José Pedro Fontes e Inês Ponte fizeram o segundo melhor tempo da especial, a apenas 0,4 segundos do mais rápido. No final, três pontos da Power Stage (o adversário que venceu não pontuou nesta prova), um pódio merecido e um sábado que fica para a história. Um resultado que coloca o projeto numa trajetória claramente ascendente.
Fontes enalteceu a recuperação e o trabalho feito pela sua equipa, em dois dias exigentes a nível mental e emocional:
“Foi um fim de semana muito duro mas com um final positivo. Começamos o rali menos bem, com uma afinação errada que nos deixou muito desconfortáveis. Perdemos muito tempo e tivemos de minimizar as perdas. Foi um dia dificil.
Mas não baixamos os braços, a equipa fez um excelente trabalho e mudamos tudo. Isso permitiu-nos começar este sábado com um ritmo mais condizente com o que esperávamos e, pouco a pouco, fomos ganhando confiança. Com isso, os tempos melhoraram e passamos a lutar pelos primeiros lugares. Começamos o dia em sexto e terminamos no pódio, o primeiro deste projeto. É um orgulho imenso conseguir este resultado logo ao terceiro rali e um prémio merecido a toda a equipa. Acreditamos muito neste carro, no seu potencial e nesta equipa. Esta é apenas a primeira de muitas conquistas. Tem também um significado ainda mais especial. Quero dedicar este pódio ao meu sogro que nos deixou ontem e com quem tinha um relacionamento de enorme proximidade e muito especial. Acompanhava-me desde os meus 17 anos e apoiando-me muito em momento muito difíceis da minha vida. Esta é também uma homenagem a ele.”
O Rally de Lisboa foi também palco de uma estreia prometedora de Francisco Fontes no Campeonato de Portugal de Ralis, no âmbito do FPAK Junior Team. O jovem piloto entrou na prova sem complexos e com velocidade imediata: segundo tempo na PEC 1, resultado que repetiu na PEC 2, dois desempenhos que o colocavam na luta pelos primeiros lugares. Mas um acidente ainda antes do final da primeira etapa retirou-o de prova, interrompendo abruptamente o que prometia ser uma estreia para recordar. A velocidade ficou demonstrada, o que faltou foi tempo para a transformar em resultado:
“Não foi o fim de semana que ambicionamos. Foi muito duro. Na sexta-feira recebi a notícia do desaparecimento do meu avô, que tanto me apoio e que acompanhava perto a minha carreira desportiva. Alinhar nesta prova foi, sem dúvida, a melhor forma de o recordar. Relativamente ao meu desempenho no rali, começámos bem, com um bom ritmo e com tempos bons, sempre nos primeiros lugares. Na terceira especial, começámos com um bom registo, sem arriscar muito. Mas a parte final do troço era nova para mim, com uma secção desafiante e foi aí que o nosso rali terminou. Fico triste pelo resultado, mas os tempos feitos até esse momento dão-me ânimo para o que está para vir. Resta-me agradecer à equipa e a todos os que me acompanham.”

O próximo desafío da Lancia no CPR está agendado para o fim de julho, de 30 de julho a 1 de agosto, no Rali da Madeira.

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