Patrick Cunha: dez dias para decidir, três rondas para chegar à luta pelas vitórias

A participação na Porsche Sprint Challenge Ibérica foi decidida apenas cerca de dez dias antes do arranque da temporada e Patrick Cunha chegou a Monteblanco sem qualquer contacto prévio com o Porsche 992 GT3 Cup e sem conhecer o circuito. Três rondas depois, o piloto bracarense lidera a Classe Bronze, ocupa o segundo lugar absoluto e da Categoria 2 e tem sido determinante para o terceiro posto da Veloso Motorsport na Taça de Equipas.
O próprio Patrick não procura esconder a dimensão do desafio inicial: “O balanço que faço é positivo, tendo em conta que decidimos fazer o campeonato cerca de dez dias antes e fomos para a primeira corrida de Monteblanco sem qualquer tipo de contacto com o carro e sem conhecer a pista.”
O que começou inevitavelmente como um processo acelerado de descoberta rapidamente se transformou em algo diferente. A adaptação trouxe velocidade. A velocidade trouxe resultados. E os resultados colocaram Patrick Cunha numa posição que dificilmente poderia antecipar quando chegou a Monteblanco.
Após as três primeiras rondas, o piloto da Veloso Motorsport lidera a Classe Bronze, ocupa o segundo lugar da classificação absoluta e é igualmente segundo na Categoria 2.
Da aprendizagem aos pódios absolutos
Monteblanco serviu sobretudo para conhecer. O Porsche, o campeonato e uma pista completamente nova. Quando a PSCI chegou ao Estoril e, posteriormente, a Valência, a realidade começou a ser substancialmente diferente. Com maior conhecimento do automóvel e competindo em circuitos que já lhe eram familiares, Patrick conseguiu aproximar-se progressivamente da frente: “A partir daí foi uma aprendizagem e tornámo-nos rápidos em pista, ganhando corridas na categoria e estando sempre no Top 3 da geral. Com pistas que já conhecemos, foi mais fácil.”
Os resultados confirmaram essa evolução. Estoril e Valência colocaram repetidamente Patrick entre os protagonistas dos lugares cimeiros. O próprio piloto reconhece que cada corrida continua a acrescentar algo: “A cada corrida que fazemos ganhamos mais ritmo e conhecimento do carro e iremos sempre tentar a vitória.”
Borja é a referência. Patrick quer chegar lá
Os pódios já chegaram. O passo seguinte está perfeitamente identificado. Patrick Cunha quer vencer uma corrida à geral na Porsche Sprint Challenge Ibérica.
Não ignora a dimensão do desafio e aponta diretamente para Borja García, protagonista de uma primeira metade de temporada extraordinariamente forte: “Um dos meus objetivos é ganhar uma corrida à geral, sabendo que, enquanto estiver nas mesmas corridas que o Borja, é difícil, porque ele tem cinco anos deste campeonato e de campeonato europeu, onde tem um ritmo e um conhecimento do carro acima da média. Senti-me rápido no Estoril e em Valência, mas, tendo o Borja na mesma corrida que eu, com o ritmo que ele tem, ainda é difícil. Mas, irei tentar!”
Uma declaração que talvez sintetize melhor do que qualquer classificação aquilo que mudou entre Monteblanco e a pausa de verão. Patrick quer ganhar.
Veloso Motorsport: uma relação de muitos anos que faz a diferença
Existe, contudo, uma componente fundamental para compreender a rapidez desta evolução. Se o Porsche e a Porsche Sprint Challenge Ibérica eram novidades, a equipa estava longe de o ser.
Patrick Cunha mantém uma relação de vários anos com a Veloso Motorsport e esse conhecimento mútuo revelou-se importante numa temporada iniciada praticamente sem preparação: “A Veloso Motorsport é a minha equipa há muitos anos e conhece bem o meu tipo de pilotagem. O nosso trabalho em conjunto e a capacidade da Veloso Motorsport no desenvolvimento e na estratégia, desde os treinos à corrida, têm sido exímios.”
O trabalho estende-se naturalmente ao setup do Porsche, procurando uma base capaz de permitir aos pilotos explorar as características do automóvel e, simultaneamente, evoluir ao longo de cada fim de semana.
Essa eficácia não se traduz apenas na classificação individual de Patrick. Após Monteblanco, Estoril e Valência, a Veloso Motorsport ocupa o terceiro lugar da Taça de Equipas da Porsche Sprint Challenge Ibérica, e os resultados alcançados por Patrick Cunha têm dado uma contribuição decisiva.
Primeiro os pódios. Agora, a vitória
Talvez a melhor forma de medir a evolução de Patrick Cunha seja regressar aos objetivos com que começou a temporada. Não existiam proclamações de candidatura ao título. Nem a obrigação de vencer. A prioridade era conhecer o Porsche, adaptar-se a uma competição nova e perceber progressivamente até onde poderia chegar.
Os pódios eram uma ambição. E já chegaram. Agora, três rondas depois, a realidade permite elevar a fasquia: “O meu objetivo inicial era a adaptação ao carro e tentar pódios, o que já consegui. Irei tentar, na segunda metade da época, ganhar uma corrida à geral e o meu objetivo para este primeiro ano é tentar ganhar a Classe Bronze.”
A equação para a segunda metade da temporada fica, assim, particularmente clara. Procurar aquela primeira vitória absoluta. E transformar a atual liderança da Classe Bronze num título no final da temporada.

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