Opel Commodore GS/E da Dalva regressa ao Group 1 Portugal

  • O emblemático Opel Commodore GS/E que pertenceu a Clemente “Kiko” Ribeiro da Silva vai estar nas mãos do piloto Luís Sousa Ribeiro no Estoril Summer Party

O Group 1 Portugal prepara-se para receber uma das peças mais simbólicas da história do automobilismo nacional. O Opel Commodore GS/E com as cores da Dalva, eternamente associado ao piloto Clemente “Kiko” Ribeiro da Silva, é hoje propriedade do também piloto Luís Sousa Ribeiro, que se prepara para apresentar esta viatura histórica na próxima jornada da competição do Group 1 Portugal, integrada no Estoril Summer Party, a disputar nos dias 18 e 19 de julho, no Autódromo do Estoril.
Mais do que a chegada de um novo automóvel à grelha, trata-se do regresso ao ambiente competitivo de uma verdadeira referência do Grupo 1 nacional dos anos 70, numa ligação direta entre a memória de uma das épocas mais marcantes do desporto automóvel português e o projeto atual do Group 1 Portugal de recriar esses momentos.
O Opel Commodore GS/E com as cores da Dalva tornou-se um dos automóveis mais reconhecidos das pistas portuguesas da década de 1970. Com Clemente “Kiko” Ribeiro da Silva ao volante, um piloto carismático, popular e talentoso na época, com uma carreira repartida entre os ralis, a montanha e a velocidade, “Kiko” Ribeiro da Silva sagrou-se Campeão Nacional de Grupo 1 em 1975, afirmando-se como uma das grandes figuras dos turismos portugueses.
A ligação à Dalva ia muito além de um simples patrocínio. A marca de Vinho do Porto pertencia à família de “Kiko” Ribeiro da Silva, através da histórica empresa C. da Silva, produtora dos vinhos Dalva. A imagem do Commodore branco com a decoração Dalva tornou-se, por isso, parte da identidade visual de uma geração de corridas em Portugal.
Equipado com o conhecido motor de seis cilindros em linha de 2.8 litros, com injeção eletrónica Bosch, tração traseira, um elevado binário e excelente velocidade de ponta, o Opel Commodore GS/E era, na primeira metade da década de 1970, um dos modelos mais competitivos do Grupo 1, não só a nível nacional como a nível europeu. A fiabilidade mecânica e a sua eficácia em circuitos rápidos tornaram-no particularmente competitivo em pistas como Jarama, Vila Real e Estoril.
Em 1974, “Kiko” Ribeiro da Silva adquiriu em França um Commodore GS/E e rapidamente começou a alcançar resultados de relevo, incluindo triunfos em provas importantes como Jarama e o Grande Prémio ACP. No ano seguinte, mantendo o mesmo modelo, conquistou o Campeonato Nacional de Grupo 1, cimentando o estatuto do Commodore Dalva como um dos carros mais marcantes da história dos turismos portugueses.
Em 1976, Kiko continuou a lutar pelas vitórias, protagonizando duelos memoráveis com outros nomes de referência da época, entre eles Joaquim Moutinho, também ao volante
de um Opel Commodore. Esses confrontos ajudaram a construir a mística de uma era em que os carros de turismo de série enchiam circuitos como Vila Real, Estoril, Monsanto e Jarama, contribuindo de forma decisiva para a identidade do automobilismo nacional.
O legado de Kiko Ribeiro da Silva permanece profundamente ligado a esta viatura. O piloto viria a falecer tragicamente em 1977, na sequência de um acidente no Autódromo do Estoril durante os 500 km do Estoril, deixando uma marca profunda no desporto automóvel português. Décadas depois, o Opel Commodore GS/E com as cores Dalva continua a representar uma das imagens mais fortes da chamada era dourada do Grupo 1 em Portugal.
Para o Group 1 Portugal, a presença deste carro tem um significado especial. O Commodore Dalva representa precisamente aquilo que a competição procura valorizar: automóveis históricos com passado competitivo real, pilotos carismáticos, decorações icónicas, memórias fortes e máquinas que continuam a justificar a sua presença em pista.
Agora nas mãos do piloto Luís Sousa Ribeiro, é um orgulho poder anunciar o regresso deste Opel Commodore GS/E às pistas, preparando-se para escrever um novo capítulo. A sua apresentação no Estoril Summer Party será, seguramente, um dos momentos de maior interesse da jornada e uma oportunidade para o público reencontrar uma das silhuetas mais emblemáticas do automobilismo português.
Mais do que um carro histórico, o Commodore da Dalva é um símbolo. Um símbolo de uma época, de um piloto, de uma marca e de uma forma de viver as corridas que o Group 1 Portugal continua a preservar, celebrar e projetar para o futuro

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