O Governo moçambicano pretende selecionar um investidor privado para instalar e operar uma fábrica de montagem de veículos automóveis, numa parceria público-privada, prevendo inicialmente a produção de autocarros e posterior expansão para outros tipos de viaturas.
O convite para manifestação de interesse, promovido pelo Ministério dos Transportes e Logística (MTL), lançado hoje e consultado pela Lusa, refere que o projeto visa a implantação de uma unidade industrial de montagem de veículos automóveis em Moçambique, considerada uma medida para reforçar a capacidade nacional de provisão de transporte público, apoiar a renovação da frota e reduzir a dependência das importações.
Segundo o documento, a iniciativa pretende igualmente criar emprego qualificado, desenvolver competências industriais e promover soluções de mobilidade mais limpas, incluindo veículos movidos a gás natural veicular (GNV), sem excluir tecnologias híbridas, elétricas ou de menor emissão de carbono que se revelem tecnicamente e economicamente viáveis para o país.
O MTL procura selecionar “um investidor privado, consórcio ou parceiro estratégico” que ficará responsável por conceber, financiar, instalar, equipar, operar e desenvolver a fábrica, num modelo de parceria público-privada (PPP), permitindo uma futura expansão para a montagem de outros tipos de veículos e equipamentos.
De acordo com o anúncio, a futura unidade industrial deverá assegurar, de forma gradual, capacidades locais de montagem, manutenção, adaptação, formação técnica, integração de componentes nacionais e serviços de apoio pós-venda para operadores públicos e privados do setor dos transportes.
As manifestações de interesse deverão ser entregues até 19 de outubro, prevendo o ministério disponibilizar os termos de referência aos concorrentes a partir de 28 de setembro.
O lançamento do concurso surge três meses depois de o Governo moçambicano ter anunciado a intenção de instalar no país uma fábrica de montagem de autocarros, avançando então com um processo de consultoria para preparar técnica, legal e financeiramente a escolha do investidor responsável pelo projeto.
Na ocasião, o executivo justificou a iniciativa com a necessidade de reduzir os elevados custos de aquisição de autocarros, aumentar a flexibilidade na renovação das frotas e desenvolver soluções adaptadas à realidade nacional.
O porta-voz do Conselho de Ministros, Ussene Isse, afirmou em junho que a instalação da unidade industrial poderá reduzir os custos em cerca de 40%, além de promover a industrialização, a transferência de tecnologia, a criação de emprego e a substituição de importações.
A intenção de criar uma indústria automóvel em Moçambique tem sido discutida há vários anos. Em março, o Governo revelou que a empresa chinesa SG Automotive Group Co estava a estudar a instalação de uma unidade de montagem de viaturas no país, incluindo autocarros elétricos, projeto que poderá criar até 3.000 postos de trabalho.
Lusa
