- CPT4x4: Emoções fortes no épico regresso a Santa Maria da Feira
- Memorável Regresso do Trial à Feira
Após a pausa de verão, as emoções fortes do Campeonato Portugal Trial 4×4 estão finalmente de volta, e que regresso memorável. Doze longos anos de jejum terminaram onde a paixão pelo rugido dos motores bateu mais forte. A quarta jornada do CPT4x4 transformou Santa Maria da Feira no epicentro do Trial em Portugal. Para receber as dezoito equipas, a organização, a cargo do Clube Trilhos do Norte em parceria com o Soluções TT clube e o apoio do município de santa Maria da feira, desenhou um traçado brutal de dez quilómetros que fez as delícias dos participantes e dos milhares de espetadores.
Foi um teste de fogo absoluto à perícia, coragem e nervos de aço de pilotos e navegadores que puderam acelerar e testar os limites das máquinas em mato, charcos e paredes íngremes que obrigaram, muitas vezes, à utilização de guincho para superar os obstáculos. Houve pó que cegou, lama que prendeu, velocidade vertiginosa e obstáculos de cortar a respiração. Foram dois dias de pura adrenalina na Mata da Carvalhosa, onde o silêncio da natureza deu lugar ao roncar dos motores, num traçado técnico que se revelou ainda mais desafiante do que o previsto. Um regresso em grande ao concelho da Feira, que marcou, com certeza o CPT4x4.
Jornada dupla plena de emoção e adrenalina
Duas etapas, numa jornada de muita energia e capacidade física de resistência humana e mecânica. Dois dias de pura competição repartidos por dois períodos de três horas de pura emoção e adrenalina. Dezoito equipas em prova repartidas pelas cinco classes, preencheram um programa recheado de muitos momentos de trial 4×4 puro e duro. Na Classe Unlimited Petrol, Nélson Sousa e António Pereira (Sonmovingui 151) regressaram às vitórias. A equipa de Lordelo não deu hipótese aos adversários com o seu Jimmy’s, saindo vitoriosa em ambas etapas. Entre as viaturas Diesel, a dupla Álvaro Neves/Ricardo Martins da “AN55”, saiu na frente no dia de sábado, mas a exigência do segundo dia de prova baralhou as contas e foi a “Valclima”, com António Moreira e Mário Brandão a levar a melhor e a consolidar a liderança no campeonato.
Entre a categoria SSV (Open), Pedro Costa e Pedro Campas (Badinho 4×4), fizeram o pleno nos dois dias de competição, após abandono prematuro da “Reciclopeças” logo na etapa inicial. Na classe X-Treme, Daniel Oliveira e Diogo Cardoso (Peças 4×4), arrecadou pela primeira vez esta época o mais alto lugar do pódio, mas no segundo dia perdeu força e foi a “Inferninho Team 32” de Amadeu Teixeira e Daniel Vieira, que retomaram as rédeas do campeonato e voltaram às vitórias. Na Promoção, a estreante “AutoG3”, esteve em destaque ao levar o Nissan Y60 à vitória logo na primeira ronda, mas, uma “penalização” por ajuda da organização fez perder o primeiro lugar para Nuno Silva e Jorge Gonçalves da “NJ Team”; a vitória da dupla André Gomes/Renato Mota acabou por não escapar no segundo dia de prova.
1ª ETAPA – Batalha de gigantes
No primeiro dia desta infernal prova de resistência, a classe Unlimited Petrol assistiu a um regresso triunfal da “Sonmovingui 151” voou baixinho e garantiu a vitória! Foram três horas de puro sufoco, com os olhos cravados nos retrovisores. “Foi mesmo até ao último minuto. Tivemos alguns problemas mecânicos de ventilação que deixou de trabalhar. E tivemos metade da corrida foi sempre a gerir, mas sempre com a ameaça dos adversários. Transponhamos um obstáculo e já tínhamos, o António (MS Espite Aventura) na nossa traseira. Foi uma etapa muito competitiva, numa pista que se tornou mais difícil do que estávamos a contar”, salientou Nelson Sousa. O “Team MS Espite Aventura” com António Oliveira e Ricardo Diamantino, lutou como pôde e garantiu um suado segundo lugar, com a dupla Paulo Ferreira/André Estima (Qtal) a fechar as contas do pódio na terceira posição.
Na Unlimited Diesel, o drama viveu-se ao segundo! Num duelo impróprio para cardíacos, Álvaro Neves e Ricardo Martins, aos comandos do Proto XS5 da “AN55”, arrancaram uma vitória magistral, ao completarem sete voltas. “Foi necessária muita gestão, porque víamos os nossos adversários a cortar muitos pneus e a ficar. O trajeto era muito técnico, tínhamos de gerir muito bem o carro e evitar contratempos, e foram três horas de gestão. Correu bem porque não tivemos nenhuma avaria, apenas alguns constrangimentos num ou outro obstáculo que se tornaram difíceis de transpor”, referiu o piloto Álvaro Neves. Na segunda posição e com o mesmo número de voltas, mas sem o mesmo fulgor mecânico, a “Valclima” com António Moreira e Mário Brandão garantiu a segunda posição, deixando a dupla Cristiano Afonso/Miguel Batista da “Ziggaworks” com o sabor agridoce do terceiro posto.
Na Classe SSV Open, Pedro Campas e Pedro Costa (Badinho 4×4) deram um autêntico recital, ao volante do CAN-AM Maverikk R, completando oito voltas em ritmo de exibição, num dia em que a “Reciclopeças” limitou-se a fazer os serviços mínimos, terminando prematuramente com problemas mecânicos. “Tivemos dificuldades apenas na comunicação. O sistema de comunicação não funcionou durante as três horas e fica mais difícil, é mais perigoso. É preciso ter um pouco mais de calma e de compreensão, mas não temos o mesmo rendimento. Mas faz parte. Faz parte de lutar sempre. Mesmo que andemos sozinhos, faz parte de darmos espetáculo, gostarmos, desfrutarmos. É o nosso espírito, já somos amigos há muitos anos, conhecemo-nos bem, temos uma vontade incrível, divertimo-nos, que é o principal deste tipo de corridas, estamos a correr em casa, que é também gratificante. É pena estarmos apenas duas equipas a correr nesta classe, tentamos impulsionar estes carros. Vamos ver, vamos andando”, um desabafo da “Badinho4x4”.
O espetáculo continuou na Classe X-Treme, que coroou uma estreia absoluta no topo do pódio! A “Peças 4×4” superou-se a si mesma, completando sete voltas perfeitas. “Foi a primeira vitoria, infelizmente nas provas anteriores tivemos alguns percalços que nos impediu de chegar na frente. Aqui fomos mais consistentes, tivemos algumas pequenas avarias que fomos reparando. Apanhamos dois charcos que nos dificultou mais a transpor. Não há nada como uma boa consistência e uma boa equipa a trabalhar para o mesmo objetivo”, salientaram Daniel Oliveira e Diogo Cardoso. Bem mais atrás, com menos duas passagens pelo exigente percurso, Amadeu Teixeira e Daniel Vieira da “Inferninho Team” agarrou com unhas e dentes o segundo lugar, seguida de perto pela “Revisauto” com a dupla Emidio Bastos/Rafael Bastos.
A Classe Promoção provou ser cada vez mais muito competitiva. A estreante “AutoG3” dominou quase toda a prova e parecia ter a vitória no bolso. Contudo, o destino foi cruel: uma ajuda externa para resgatar o Patrol Y60 da pista resultou numa penalização, que a tirou do rumo da vitória, relegando a dupla André Gomes/Renato Mota para segundo lugar. Quem sorriu com o azar alheio foi a audaz “NJ Team”, que não descurou a oportunidade de saltar para o lugar mais alto do pódio, mês o depois de inúmeros contratempos que os fizeram atrasar no regresso ao padock. “Esta primeira etapa foi muito complicada. Tivemos muitos azares, partimos algumas peças, alguns furos. Felizmente conseguimos manter um bom ritmo e, no final, tivemos a surpresa de ter ficado em primeiro. Também perdemos um bocadinho a noção de como é que as coisas estavam a ocorrer no meio da pista, às tantas, isso acaba por acontecer. Os troncos dos eucaliptos escondidos entre a lama acabaram por provocar dois furos e partiram-nos mais uma peça e acabou por dificultar bastante. Para além disso, o calor”, referiu Nuno Silva acompanhado por Jorge Gonçalves. A “AutoG3” caiu para segundo, seguido pela dupla João Teixeira/Nuno Gomes da “Inferninho Team Jr”.
2ª ETAPA – Sonmovingui e Badinho 4×4 bisam em dia quente
No segundo dia, o calor apertou. Apesar do percurso ser de conhecimento do dia anterior, o terreno manteve-se implacável para a prática da modalidade. A vontade de vencer manteve esta segunda etapa ao rubro. Na Unlimited Petrol, a “Sonmovingui 151” e a “MS Espite Aventura” voltaram a iniciar a etapa com o mesmo fulgor e a vontade de lutarem pela vitória. A dupla de Lordelo acabou por ser mais forte na Mata da Carvalhosa, somando a segunda vitória do fim de semana. “Hoje a prova estava mais difícil, os obstáculos ficaram mais duros. Tivemos alguns problemas no carro, mas o nosso concorrente direto também viria a sofrer problemas e deu para gerirmos o carro até ao fim e conseguir garantir o primeiro lugar. Chegámos a andar em segundo, atrás do António por algum tempo. Depois, tivemos a informação que ele estava nas boxes e realmente tinha desistido. A partir dai gerirmos mais descansados e deu para divertir um pouco e dar espetáculo. Agora, está tudo em aberto para Lordelo.”, referiu o piloto Nelson Sousa. Mesmo completando apenas três voltas, acabaram por desistir depois de alguns problemas mecânicos, a dupla António Oliveira/Ricardo Diamantino, asseguraram a segunda posição e a liderança do campeonato Petrol.
Na Unlimited Diesel, o duelo voltou a ser intenso, com três equipas a terminarem com as mesmas sete voltas. António Moreira e Mário Brandão “Valclima”, recuperaram a forma e regressaram às vitórias, depois de algumas alterações de posições ao longo da etapa. “Foi uma etapa de lotaria, andamos um pouco a correr contra o tempo e as avarias até conseguirmos consolidar a liderança. Perdemos lugares, na fase inicial ao ficarmos sem tração à frente, a corda do guincho não ajudou… Acabamos por passar para a frente talvez com o azar dos nossos adversários. O que correu bem foi acabar em primeiro. Para as contas do campeonato acabou por ser muito positivo, descolamos um pouco mais da liderança o que nos dá mais tranquilidade para aprova de Lordelo”, referiu António Moreira. Na segunda posição terminou a formação da “Ziggaworks, com as mesmas voltas dos vencedores. A “AN55” fechou o pódio com escassos 14 segundos da segunda posição.
Na classe Open SSV, Pedro Costa e Pedro Campas corriam a solo e podiam ter feito apenas o mínimo. Em vez disso, deram tudo ao volante do Can-Am Maverick e saltaram para a liderança do campeonato, com um ponto de vantagem sobre a Reciclopeças. “
“A pista hoje estava ligeiramente melhor. Hoje requeria um bocadinho mais de dificuldade, não a tinham, mas desfrutámos. Hoje já tínhamos comunicação entre nós, foi muito mais divertido, conversávamos. Velocidades altas e também tivemos zonas técnicas e uma prova tranquila. Vamos agora fazer outra competição aqui no meio. No fim se vê se vamos marcar presença em Lordelo, porque inicialmente não tínhamos esta ideia de fazer o campeonato na totalidade. Não sei, vamos a ver. Passo a passo”, afirmou no final Pedro Costa.
Na classe Xtreme, a “Inferninho Team 32” superou os problemas do dia anterior, completou sete voltas em três horas e conquistou a vitória. “Hoje foi um dia melhor, também passamos a conhecer mais o terreno e também não tivemos os azares que tivemos ontem, tínhamos danificado cabo dos dois guinchos, tivemos um furo. Hoje nada aconteceu felizmente. Precisávamos deste resultado para a pontuação do Campeonato e depois quando estivemos na frente fomos gerindo a classificação”, salientou Amadeu Teixeira na companhia de Daniel Vieira. A “Peças 4×4” arrecadou a segunda posição, enquanto Lígia Romão e Luís Silva (LL TeamBoop), asseguraram o terceiro lugar.
Emoção garantida na classe Promoção: à segunda foi de vez! A “AutoG3” não desperdiçou a oportunidade e alcançou a vitória nesta segunda etapa de resistência. “Felizmente os problemas que tínhamos no carro conseguimos resolver todos ontem. Foi pena essa penalização que tivemos na 1ª Etapa, devido ao facto de ficarmos sem direção assistida, mas faz parte e só temos de aceitar, mas conseguimos hoje reconquistar o primeiro lugar. A pista estava muito andadeira, o que facilitou para nós que temos pneus mais pequenos. Mas uma pista muito fixe. Para a primeira vez, sem dúvida, o calor foi o que mais dificultou. Ainda tivemos tempo de ajudar um adversário nosso que ficou empancado”, relatou o piloto André Gomes. A “Sucatas Fernando”, com Fernando Ferreira e Rui Martins, terminou na segunda posição a três voltas do vencedor, na frente da “NJ Team” que padeceu de sucessivos problemas mecânicos nos dois guinchos.
Um Regresso Carregado de Orgulho
A festa do trial voltou a casa, resgatando a memória de um concelho que tem o desporto motorizado e o Trial 4×4 em especial, nas suas genesis, o que fez deste um regresso carregado de orgulho. Para o Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, este foi um momento de “… pura afirmação para o concelho e um capítulo memorável nesta época desportiva. É especial para nós porque cerca de uma década depois o Trial volta a Santa Maria da Feira, uma casa de muitos aficionados e adeptos e, acima de tudo com muitos praticantes. E por isso é com naturalidade que no âmbito das nossas atividades desportivas, achamos por bem regressar ao Conselho de Santa Maria da Feira. E por isso é, se me permitem a imodéstia, um regresso do trial a casa”, salientou Amadeu Albergaria.
Antero Bessa, presidente do Clube Trilhos do Norte, enalteceu todo o empenho das entidades envolvidas neste regresso do Trial ao concelho da Feira e a parceria estabelecida com o Soluções TT Clube na pessoa do Mário Castro e do Município, “… um balanço muito positivo. Ao fim de 12 anos, regresso a uma das capitais do Trial 4×4. Um evento de excelência com empenho total e exemplar do organizador local juntamente com a Câmara Municipal. Ambos contribuíram e mostraram como se organiza e prepara uma prova desta envergadura. Um agradecimento aos pilotos que vieram fazer esta prova e, ao povo de Santa Maria da Feira que sabe bem acolher e isso demonstrou-se nas zonas de espetáculo que apareceram em grande massa”, salientou o líder e Promotor do Campeonato Portugal Trial 4×4.
