Mais de 65% dos automóveis vendidos na China em agosto eram elétricos ou híbridos

Os veículos elétricos e híbridos representaram um recorde de 65,2% das vendas de automóveis na China em agosto, numa altura em que a subida dos preços dos combustíveis acelera o abandono dos modelos a gasolina.

Segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA, na sigla em inglês), divulgados hoje, 65,2% dos 1,54 milhões de automóveis vendidos no mês passado na China continental foram totalmente elétricos ou híbridos com carregamento externo.

A percentagem superou o anterior máximo histórico de 65,1%, registado em julho.

“Os consumidores estão agora convencidos das vantagens dos veículos elétricos, numa altura em que a ansiedade relacionada com a autonomia foi, em grande medida, ultrapassada”, afirmou Zhao Zhen, diretor de vendas do concessionário Wan Zhuo Auto, sediado em Xangai, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

“Podem esperar-se taxas de penetração mais elevadas à medida que mais condutores abandonam os automóveis a gasolina”, acrescentou.

O aumento do peso dos elétricos ocorre apesar da contração do mercado automóvel chinês, afetado pelo abrandamento da segunda maior economia mundial.

Em agosto, as vendas de automóveis a gasolina caíram 40% em termos homólogos, enquanto as entregas de veículos elétricos recuaram 10,1%, segundo a CPCA.

A guerra no Irão terá acelerado a transição, ao provocar uma subida dos preços do petróleo e, consequentemente, dos custos dos combustíveis.

O petróleo Brent negociava-se na quarta-feira em torno de 97 dólares (83 euros) por barril, cerca de 34% acima do nível registado no final de fevereiro, quando eclodiu o conflito.

Segundo uma estimativa do banco suíço UBS divulgada em março, caso o petróleo se mantenha em torno dos 90 dólares (77 euros) por barril, os condutores chineses de automóveis a gasolina poderão gastar anualmente mais cerca de 2.000 yuan (256 euros) em combustível face aos níveis anteriores à guerra.

A crescente oferta de modelos elétricos equipados com sistemas avançados de assistência à condução e outras tecnologias tem também contribuído para convencer os consumidores chineses, segundo concessionários citados pelo SCMP.

A China tem, em paralelo, expandido rapidamente a rede de carregamento.

O país dispunha, no final de julho, de 5,1 milhões de postos públicos de carregamento para veículos elétricos, mais 21,3% do que um ano antes, segundo a Aliança Chinesa para a Promoção da Infraestrutura de Carregamento de Veículos Elétricos.

Os pontos de carregamento domésticos atingiram quase 18,6 milhões, um aumento homólogo de 48,8%.

A taxa de penetração dos veículos elétricos continua, no entanto, a subir apesar da redução dos subsídios e dos benefícios fiscais concedidos por Pequim.

Os compradores de um automóvel elétrico de 100.000 yuan (12.807 euros) recebem atualmente um subsídio de 12.000 yuan (1.536 euros), menos 40% do que no ano passado, e estão sujeitos a um imposto de 5% sobre a aquisição do veículo, depois de estes automóveis terem estado anteriormente isentos.

Entre janeiro e agosto, os fabricantes chineses entregaram 6,67 milhões de veículos elétricos no mercado doméstico, menos 11,6% do que no mesmo período do ano anterior, segundo a CPCA.

Lusa

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