Lousada prepara-se para uma final histórica do Europeu de Ralicross

  • 71 pilotos de cerca de 20 nacionalidades disputam, entre 11 e 13 de setembro, a jornada decisiva do Campeonato da Europa FIA Euro RX 2026, no renovado Circuito Internacional de Lousada, complexo que volta a afirmar-se como referência internacional da modalidade.
  • Os quatro títulos europeus vão ser decididos em Portugal, num formato inédito de jornada dupla, com duas finais por categoria e oito vitórias em disputa ao longo do fim de semana.
  • Andreas Bakkerud e Johan Kristoffersson, dois dos maiores nomes internacionais da modalidade, chegam a Lousada separados por apenas um ponto na luta pelo título da categoria principal, que reúne 30 pilotos ao volante de carros com cerca de 600 cavalos de potência.
  • A noite de sábado ficará para a história, com semifinais e finais sob iluminação artificial, na primeira prova noturna integrada num calendário internacional FIA de Ralicross.

Setenta e um pilotos de cerca de 20 nacionalidades, quatro títulos europeus por decidir, oito finais, 30 dos mais potentes carros de Ralicross na categoria principal e dois dos maiores nomes mundiais da modalidade separados por apenas um ponto. Lousada prepara-se para receber, entre a próxima sexta-feira e domingo (11 a 13 de setembro), o derradeiro e decisivo fim de semana do Campeonato da Europa FIA Euro RX 2026.

Uma final europeia com uma dimensão desportiva pouco habitual, mas também um acontecimento histórico. Pela primeira vez, uma prova noturna integra um calendário internacional FIA de Ralicross e será precisamente no Circuito Internacional de Lousada que os carros vão disputar, sob iluminação artificial, as primeiras semifinais e finais desta nova página da modalidade.

Tudo isto acontece num lugar onde o Ralicross não é propriamente um desconhecido. Numa pequena vila portuguesa da região do Tâmega e Sousa, com pouco mais de 9.300 habitantes, a modalidade faz parte da memória coletiva há várias décadas. Para o próximo fim de semana, a expectativa é que a afluência de público multiplique por várias vezes a população da própria vila.

Ralicross: vários carros, a mesma curva, asfalto e terra

Para quem nunca assistiu a uma prova, a fórmula ajuda a explicar por que razão o Ralicross é considerado uma das disciplinas mais espetaculares e emocionantes do automobilismo.

Ao contrário de um rali, em que os pilotos partem separadamente e competem essencialmente contra o cronómetro, no Ralicross vários carros partem juntos e disputam diretamente cada posição, em corridas curtas e intensas realizadas num circuito que combina zonas de asfalto e terra.

As partidas em grupo, as travagens, as derrapagens, os saltos, as mudanças constantes de aderência e a luta pela mesma curva concentram muita ação em poucos minutos. A configuração compacta dos circuitos permite ainda que o público acompanhe grande parte da corrida sem perder os carros de vista.

Lousada acentua precisamente essa característica. O circuito está implantado numa espécie de anfiteatro natural, com grande proximidade entre pista e público, uma configuração que ao longo de décadas ajudou a construir a reputação e o ambiente particular das grandes jornadas internacionais de Ralicross disputadas na vila.

30 carros com cerca de 600 cavalos na categoria principal

As quatro categorias presentes em Lousada – RX1, RX3, RX4 e RX5 – correspondem a diferentes níveis de preparação e características técnicas.

No topo está o Euro RX1, a categoria principal e mais potente. São carros de competição, com cerca de 600 cavalos, tração integral e capazes de acelerações dos 0 aos 100 km/h em aproximadamente dois segundos. Ou seja, comparáveis aos de um Fórmula 1!

Apesar da transformação, mantêm a aparência e o nome de automóveis reconhecíveis pelo público, de que são exemplo Ford Fiesta, Volkswagen Polo, Hyundai i20, Peugeot 208, Renault Mégane, Audi S1, SEAT Ibiza, Škoda Fabia ou MINI Cooper, entre outros modelos.

E serão 30 os RX1 inscritos, uma grelha que junta diferentes gerações de pilotos e algumas das principais figuras internacionais da modalidade.

Um norueguês, um sueco e apenas um ponto entre eles

No centro das atenções vai estar uma luta pelo título que dificilmente poderia chegar mais equilibrada a Portugal.

Andreas Bakkerud, norueguês, chega a Lousada na liderança do Euro RX1 com 158 pontos, ao volante de um Ford Fiesta. Johan Kristoffersson, sueco, tem 157 e conduz um Volkswagen Polo. Apenas um ponto separa os dois antes das duas finais que vão decidir o campeonato.

Os números ajudam também a perceber a dimensão dos protagonistas. Bakkerud já conquistou três títulos europeus, enquanto Kristoffersson é o piloto mais bem-sucedido da história do Campeonato do Mundo de Ralicross, com oito títulos mundiais, mas procura ainda conquistar pela primeira vez a coroa europeia.

A temporada também não poderia estar mais equilibrada entre ambos: Bakkerud venceu na Hungria e na Irlanda; Kristoffersson triunfou na Letónia e na Suécia. Na última ronda, disputada em França, foi o francês Fabien Pailler quem venceu, permitindo a Bakkerud, segundo classificado, chegar a Portugal com a vantagem mínima de um ponto.

Mas a grelha de Lousada está longe de se resumir aos dois candidatos ao título. O norueguês Ole Christian Veiby (Volkswagen Polo) ocupa o terceiro lugar do campeonato, à frente do finlandês Juha Rytkönen (Hyundai i20). Outro finlandês, Joni Turpeinen (Ford Fiesta), é quinto, enquanto o sueco Casper Jansson (Peugeot 208) e o francês Fabien Pailler (Renault Mégane) chegam empatados em pontos na posição seguinte. O britânico Patrick O’Donovan (Peugeot 208), Campeão Europeu de RX1 em 2024, é outro dos nomes a acompanhar.

A grelha traduz bem a dimensão internacional da final: escandinavos, britânicos, franceses, alemães, húngaros, checos, irlandeses e pilotos de outras nacionalidades vão dividir a pista com uma forte representação portuguesa.

Na categoria principal, Portugal estará representado por Joaquim Machado, Leonel Sampaio, José Oliveira, João Ribeiro e António Sousa.

Quatro categorias e quatro títulos europeus para decidir em Lousada

A luta pelos títulos estende-se às restantes categorias.

No Euro RX3, com 18 pilotos inscritos, o lituano Rytis Gurklys chega a Portugal na liderança, perseguido pelo francês Julien Meunier, numa das decisões mais competitivas da temporada.

Também nesta categoria a diversidade internacional é uma das marcas da grelha, destacando-se, entre outros, o belga Niclas Geleyns, o húngaro Samuel Korda, o francês Dylan Dufas e Markuss Rāsruds, além de uma representação portuguesa formada por André Sousa, André Machado, Rogério Sousa, Tiago Ferreira e Tiago Costa.

Lousada terá ainda a particularidade de coroar os primeiros campeões europeus da história de RX4 e RX5.

No Euro RX4, oito pilotos disputam a jornada decisiva, com Andrea Benezet e Filip Melon no centro da luta pelo título. Entre os concorrentes encontram-se também Anna Rusek, Thomas Quincé, Albert Kokk e Haotian Deng, numa grelha que leva a Lousada pilotos de diferentes pontos da Europa e até da China.

Para o público português haverá um motivo adicional de interesse: Hélder Ferreira fará a sua estreia no Euro RX4 ao volante de um novo Lancia Ypsilon Rally4 HF.

No Euro RX5, são 15 os pilotos inscritos e o primeiro título europeu da categoria continua igualmente em aberto. Os estónios Armin Raag e Martin Juga chegam a Portugal separados por apenas alguns pontos, com o espanhol Diego Martínez também na discussão.

Quando cair a noite, Lousada fará história

A atividade em pista começa na sexta-feira, 11 de setembro, com duas sessões de treinos livres para as diferentes categorias. A segunda decorrerá já ao início da noite, proporcionando aos pilotos um primeiro contacto com o Circuito Internacional de Lousada sob iluminação artificial.

No sábado começa a competição propriamente dita, com as primeiras qualificações a partir das 12h50 e um programa que se prolongará noite dentro.

A partir das 19h50, disputam-se as semifinais. Às 21h07 começa uma sequência de cinco finais sob iluminação artificial, com 2RM, RX5, RX4 e RX3 a antecederem o momento mais aguardado da noite: a final de RX1, marcada para as 21h40.

Será então consumada a estreia da primeira prova noturna integrada num calendário internacional FIA de Ralicross, acrescentando uma nova dimensão visual e desportiva a uma modalidade onde a proximidade dos carros, a terra, o asfalto e a sucessão rápida de corridas proporcionam um espetáculo intenso.

E, quando terminar a noite de sábado, ainda estará apenas cumprida metade da decisão.

No domingo, os pilotos regressam à pista a partir das 08h20 para a segunda jornada. Novas qualificações e semifinais conduzem a outra sequência de finais, entre as 17h37 e as 18h11, antes do pódio final, às 18h26, que encerrará o Campeonato da Europa FIA Euro RX 2026.

Um circuito histórico preparado para uma nova geração

Se a história explica a ligação de Lousada ao Ralicross, o circuito que recebe esta final europeia está também muito longe de viver apenas do passado.

O complexo tem sido alvo, nos últimos anos, de um profundo processo de renovação promovido pelo Município de Lousada, modernizando as suas infraestruturas e criando condições para recuperar um lugar entre as grandes referências internacionais da modalidade.

Esse investimento permitiu o regresso das grandes competições internacionais e conheceu um momento importante em 2025, quando Lousada voltou ao mais alto nível mundial ao receber o FIA World RX.

A evolução do complexo tem agora uma nova expressão precisamente neste fim de semana, com a estreia de um novo paddock, reforçando as condições disponibilizadas às equipas, pilotos e organização e a capacidade do Circuito Internacional de Lousada para receber eventos internacionais desta dimensão.

É a combinação entre estas infraestruturas profundamente renovadas e características que nenhuma obra poderia construir – a configuração natural do circuito, a proximidade entre público e pista e uma população que vive a modalidade há várias gerações – que torna Lousada um palco particularmente adequado a uma das disciplinas mais espetaculares do automobilismo mundial.

39 anos de memórias do Clube Automóvel de Lousada

Também para o Clube Automóvel de Lousada (CAL) esta final tem um significado especial.

Fundado a 7 de agosto de 1987, o clube nasceu de iniciativas locais que promoviam corridas de automóveis e motos e que estiveram na génese do desenvolvimento do desporto motorizado no concelho.

Jaime Moura, fundador e sócio número um, foi uma das figuras determinantes desta história. Presidiu ao CAL durante duas décadas, até 2006, período durante o qual Lousada se afirmou como um dos grandes polos do desporto automóvel português e ganhou a designação informal de “Capital do Automobilismo”.

Entre 1991 e 2008, o Circuito Internacional de Lousada recebeu regularmente o Campeonato da Europa de Ralicross, trazendo a Portugal os grandes nomes da modalidade e construindo uma relação entre o circuito e o público que atravessou gerações.

Trinta e nove anos depois da fundação do CAL, Lousada volta agora a receber a decisão europeia num complexo profundamente renovado e perante a perspetiva de voltar a ver milhares de pessoas ocuparem as bancadas e as zonas envolventes do circuito.

Numa vila com pouco mais de 9.300 habitantes, a organização espera que, durante o fim de semana, o número de espectadores multiplique por várias vezes a população local.

“Há poucas modalidades que tenham uma ligação tão forte a um território como o Ralicross tem a Lousada. Há várias gerações que cresceram a ver estas corridas e essa paixão continua bem presente. Agora recebemos 71 pilotos de cerca de 20 nacionalidades, decidimos aqui os quatro títulos europeus e vamos viver um momento inédito na história internacional da modalidade. Fazê-lo num circuito profundamente renovado, que estreia também um novo paddock, mostra aquilo que Lousada construiu e as condições que hoje temos para continuar a receber as grandes competições internacionais. Para uma vila com pouco mais de 9.300 habitantes, a expectativa de receber durante estes dias várias vezes a sua população diz muito sobre a dimensão deste evento e sobre aquilo que o Ralicross significa para Lousada”, afirma Luís Marinho, Presidente do Clube Automóvel de Lousada.

A festa começa antes dos motores

O programa do Euro RX of Portugal começa ainda antes da competição.

Na quinta-feira, 10 de setembro, o Circuito Internacional de Lousada abre as portas ao público, com entrada livre, para a cerimónia de abertura.

A partir das 19h00, o programa inclui um sunset com DJ Sara Santini, uma foto de família e animação. Às 20h30 serão apresentados os pilotos, proporcionando um primeiro contacto entre os protagonistas do fim de semana e o público, antes de a noite prosseguir com música de Sara Santini e John Diaz.

Será o início de quatro dias em que Lousada volta a viver ao ritmo de uma modalidade que faz parte da sua história, desta vez para decidir quatro Campeonatos da Europa e escrever uma nova página na história internacional do Ralicross.

Os bilhetes para o Euro RX of Portugal encontram-se disponíveis em https://cal.bol.pt/ 

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