As exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentaram mais de 70% até setembro, numa altura em que os fabricantes procuram compensar a quebra das vendas no mercado interno, revelou hoje uma associação do setor.
Em setembro, a China exportou cerca de 919 mil automóveis de passageiros em setembro, um acréscimo de 64%, impulsionado pela procura externa de veículos híbridos recarregáveis e totalmente elétricos, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM, na sigla em inglês).
Em contrapartida, as vendas no mercado interno recuaram durante a maior parte do ano, num contexto de menor confiança dos consumidores e redução dos subsídios estatais à compra de automóveis.
Em setembro, as vendas domésticas de automóveis de passageiros caíram 27%, face ao mesmo mês do ano anterior, para pouco mais de 1,6 milhões de unidades, segundo a CAAM.
Nos últimos meses, os fabricantes chineses intensificaram a aposta em mercados externos, nomeadamente na Europa, América Latina, Sudeste Asiático e África.
O Canadá está também a abrir o mercado às exportações chinesas de veículos elétricos, no âmbito de um acordo com Pequim para a redução de tarifas aduaneiras.
A indústria automóvel chinesa depende cada vez mais dos mercados internacionais para sustentar o crescimento das vendas e dos lucros, à medida que procura compensar a fraqueza da procura interna, afirmou Stephen Chan, analista da agência de notação financeira S&P Global Ratings.
A consultora AlixPartners e vários analistas do setor estimam que os fabricantes chineses poderão exportar cerca de dez milhões de veículos para todo o mundo em 2026.
Na Europa, as marcas chinesas representam um desafio crescente para a indústria automóvel local, beneficiando de custos de produção e preços de venda inferiores.
Segundo uma análise da AlixPartners, produzir um automóvel elétrico de uma marca chinesa custa cerca de 20 mil dólares (aproximadamente 17.870 euros), contra 31 mil dólares (27.700 euros) de um modelo europeu equivalente.
A União Europeia (UE) já impôs tarifas adicionais sobre os veículos elétricos chineses, mas o rápido crescimento das vendas de automóveis híbridos provenientes da China passou também a dominar as discussões comerciais entre Bruxelas e Pequim.
Na sexta-feira, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, anunciou que as duas partes alcançaram um entendimento provisório que poderá reduzir para cerca de metade as exportações chinesas de automóveis híbridos para o mercado europeu.
Os analistas consideram, contudo, que as medidas protecionistas continuarão a representar um obstáculo à expansão internacional dos fabricantes chineses.
“Não se pode esperar que a BYD ou os outros fabricantes exportem demasiados automóveis sem enfrentarem tarifas ou resistência por parte dos governos estrangeiros”, afirmou recentemente Xiao Feng, responsável pela investigação sobre os setores industriais da China e de Hong Kong no grupo de investimento CITIC CLSA.
Stella Li, vice-presidente executiva da fabricante chinesa de veículos elétricos BYD e responsável pela expansão internacional da empresa, reconheceu este mês que a geopolítica constitui o maior desafio ao crescimento da marca no estrangeiro.
Durante a cimeira asiática do Instituto Milken, em Singapura, a responsável explicou que a BYD está a aumentar a capacidade de produção fora da China, incluindo através da instalação de fábricas na Tailândia, Indonésia, Brasil e Hungria.
Ming Lee, responsável pela investigação sobre os setores automóvel e industrial da Grande China no BofA Global Research, do Bank of America, considerou que os fabricantes chineses deverão continuar a expandir a produção no estrangeiro para reduzir riscos associados às tarifas aduaneiras.
“Cada vez mais veículos serão produzidos localmente”, afirmou.
Lusa
