Um dia de testes em circuito tem muito que se lhe diga. Previamente à entrada do Furia em pista, há um todo um trabalho de preparação “em casa” que é absolutamente essencial para que, quando chegar o dia, tudo corra conforme planeado.
Uma correta preparação e organização prévia de um dia de testes dinâmicos em pista não é, por si só, garantia de que todos os objetivos definidos em termos de desenvolvimento serão atingidos, mas é, por outro lado, uma condição absolutamente essencial para que o plano de trabalhos definido para o dia seja executado à regra.
Para este regresso do Furia ao Autódromo Internacional do Algarve, de forma que os trabalhos se iniciassem cedo e sem surpresas, cumprindo-se ao pormenor o caderno de encargos definido para o dia no Circuito de Portimão, a equipa da Adamastor começou, ainda “em casa”, no Porto, a prepará-lo com afinco muitos dias antes.
A partir da sua base, e com cerca de um mês de antecedência, foi preciso, desde logo, garantir o lugar em pista, inscrevendo o Furia no dia de testes realizado no circuito algarvio, bem como assegurar o seu transporte seguro – e de todo o material para trabalhar em ambiente de box, desde computadores, ferramentas e materiais de apoio – para a viagem de cerca de 600 quilómetros em direção a sul.
Para além do Furia, é obviamente indispensável garantir que nada falta aos meios humanos, sendo não só necessário tratar da deslocação de toda a equipa de engenharia e de mecânica de e para o circuito, bem como assegurar as suas refeições e as reservas de estadias para a essencial reposição de energias de todos os elementos depois de um exigente e longo dia de trabalho.
E tudo isto com vários dias de antecedência, uma vez que os trabalhos de preparação prosseguiram já em pleno Algarve, antes do dia de entrada em pista. E quando se aproxima esse muito aguardado momento, pouco antes de cair o verde do semáforo no final do pitlane que dá a pista como aberta, é preciso verificar novamente as pressões, os apertos de roda, níveis e ainda garantir que todos os sensores instalados no Furia estão a fazer as leituras corretas para que a posterior recolha de dados seja bem-sucedida.
Mas que dados são recolhidos?
A análise da telemetria é uma vertente absolutamente crucial para melhor conhecer o comportamento do veículo e perceber onde e como devem ser implementadas correções e/ou melhorias. Neste caso em particular, no elaborado fundo do Furia foram instalados sensores de altura ao solo e de pressão, a fim de avaliar a distribuição de cargas e, assim, quantificar o downforce gerado em função da velocidade atingida. Nesta mais recente visita do Furia ao circuito de Portimão, confirmaram-se (e inclusivamente superaram-se), por exemplo, os valores de aceleração lateral previstos em simulador, tendo sido atingidas forças de 2,4 G em curva.
O controlo e otimização das temperaturas de funcionamento do motor é também fulcral para se atingir o nível de fiabilidade exigido, pelo que ao longo do dia foram realizados diversos testes e implementadas melhorias no fluxo de ar a fim de se avaliarem as melhores configurações possíveis.
Para se ter uma ideia da quantidade de informação gerada pelo Furia e recolhida pela Adamastor nas suas paragens na box, é gerado 1 Mb de informação a cada 43 segundos, proveniente de mais de 400 canais. A leitura das rotações de funcionamento do motor, por exemplo, gerou cerca de 1,3 milhões de data points apenas neste mais recente teste realizado no Autódromo do Algarve.
Um dia pleno de conquistas
Em pista, o Furia mostrou, uma vez mais, toda a elegância e eficácia das suas linhas, concebidas não apenas para impressionar quando estático, mas principalmente para cortar o ar com precisão cirúrgica quando em movimento. A aerodinâmica é, desde o primeiro momento, o conceito a partir do qual o Furia nasceu, no qual forma e função se fundem numa harmonia perfeita.
Os resultados estão, literalmente, à vista de todos. Ainda que não tenha sido cronometrada uma volta completa explorando toda a potência do motor e capacidades do chassis, as simulações realizadas com base na informação recolhida neste dia em pista mostram tempos verdadeiramente promissores, alimentando um entusiasmo contagiante dentro da equipa Adamastor, que regressa a casa motivada, inspirada e pronta para continuar a trabalhar na evolução do Furia.
