PERFIL: Rali de Portugal: Thierry Neuville renasceu das cinzas em Fafe

Um mês depois de ter sofrido a derrota mais dolorosa da carreira, ao desperdiçar um triunfo quase certo na Croácia, o belga Thierry Neuville (Hyundai i20) renasceu das cinzas ao vencer a 59.ª edição do Rali de Portugal.

O campeão mundial de 2024 repetiu um feito que já havia conseguido em 2018, quando venceu a prova portuguesa pela primeira vez.

Mas o triunfo deste domingo reveste-se de contornos dramáticos, pois herdou a liderança desta sexta ronda do Campeonato do Mundo (WRC) à entrada para a última especial devido a um furo sofrido pelo anterior líder, o francês Sébastien Ogier (Toyota Yaris).

“Agora sabemos bem o que não devemos fazer”, dizia, em jeito de desabafo, o piloto belga, nascido há 37 anos (16 de junho de 1988) em Saint Vith.

A especial de Fafe e o famoso salto da Pedra Sentada confirmaram a recuperação anímica do piloto belga, que viu a sua confiança afetada pela derrota croata, quando embateu num sinal de trânsito no derradeiro troço, quando liderava com 1.15 minutos de vantagem.

Um mês depois dessa lição dolorosa, Thierry Neuville deu a primeira vitória do ano à marca coreana, que pensava deixar o campeonato devido à falta de resultados.

O belga, que é navegado pelo compatriota Martijn Wydaeghe, começou por ser um dos mais promissores da sua geração, mas viu-se entalado entre os maiores nomes da modalidade: os franceses Sébastien Loeb, com nove títulos entre 2004 e 2012, e Sébastien Ogier, que venceu entre 2013 e 2018 e, novamente, em 2020, 2021 e 2025, e o jovem prodígio Kalle Rovanperä, campeão em 2022 e 2023, mas que entretanto deixou os ralis.

Nesse entretanto, o piloto dos óculos cor de laranja terminou o Mundial por cinco vezes na segunda posição, em 2013, 2016, 2017, 2018 e 2019. Se, nas primeiras vezes, foi sempre batido por Ogier, em 2019 viu-se ultrapassado pelo estónio Ott Tänak, que viria a ser seu companheiro de equipa na Hyundai.

Neuville começou por dar nas vistas ainda no Intercontinental Rally Challenge (IRC), com os carros de 2000 cc. As boas prestações valeram-lhe um contrato com a Citroën, em 2012, ano em que terminou no sétimo lugar, depois de ter feito a sua estreia no Mundial em 2009.

O ano de 2013 mostrou uma das maiores armas de Neuville, a rapidez aliada à regularidade. ‘Roubado’ pela Ford à Citroën, conquistou o primeiro pódio da carreira (terceiro lugar no México), voltando ao pódio na Grécia (terceiro lugar) antes de quatro segundos lugares consecutivos, em Itália, Finlândia, Alemanha e Austrália. O ano terminaria com um terceiro posto na Grã-Bretanha e o vice-campeonato, o primeiro de cinco.

A primeira vitória surgiu na Alemanha, em 2014, num rali de asfalto, aquela que parece ser a sua especialidade, no primeiro ano na Hyundai, depois de ter sido contratado pela equipa coreana para ser o chefe de fila e ajudar a desenvolver o seu carro.

Esses primeiros anos foram difíceis, com dois sextos em 2015 e 2016, seguidos de quatro segundos lugares consecutivos entre 2016 e 2019.

Portugal tem sido um dos palcos mais difíceis para o piloto belga que, para além de óculos laranja, gosta de relógios garridos.

A primeira vitória em território luso aconteceu no longínquo ano de 2018. Soma ainda dois segundos lugares, em 2017 e 2019, e dois terceiros (2024 e 2025). Mas também alguns anos difíceis, como o de 2021 (36.º), 2016 (29.º), 2015 (38.º) e 2013 (17.º).

Em 2024, Thierry Neuville conseguiu, finalmente, ‘matar o borrego’, apesar de alguns erros cometidos ao longo da temporada que podiam ter hipotecado o sonho, e sagrou-se campeão.

Mas a conquista do título não foi o calmante que se pensava poder catapultar Neuville para um outro nível. Em 2025, um misto de erros e azar deixaram-no no quinto lugar do campeonato.

Disputou 183 ralis, somando 23 triunfos e 75 pódios, com 432 vitórias em especiais, duas delas em Portugal.

Tem uma filha de sete anos, Camille, que o acompanha regularmente nas corridas, e um filho de três, Luca.

A vitória de hoje poderá ser o impulso de confiança que lhe faltava para reentrar na corrida pelo título, numa altura em que o final de carreira se aproxima a passos largos.

Lusa

Créditos Foto : AutoHebdo

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