O município de Águeda, no distrito de Aveiro, onde hoje arrancou a parte competitiva do Rali de Portugal, preparou ao milímetro a classificativa inaugural da prova, concretamente ao nível da segurança e condições para o público.
Parte do troço inaugural da edição 2026 da competição – os 15,08 quilómetros (km) entre Águeda e Sever – decorre numa encosta de ravinas pronunciadas entre as localidades de Chãs e Moita. Para além da zona espetáculo (ZE) oficial, o município apostou em melhorar as condições da zona de público (ZP), estreada o ano passado, e que é um espaço de iniciativa municipal, onde os espetadores também se podem concentrar, em segurança, e, – diz quem sabe – permite uma melhor visão do troço do que a proporcionada pela ZE.
“Preparámos isto ao milímetro, tendo em conta a experiência do ano passado. O ano passado houve coisas que não correram tão bem, este ano melhorámos e as melhorias são sempre possíveis. Sentimos é que há um esforço grande da autarquia, e esse esforço compensa, Águeda e a região ganham com este tipo de provas”, disse à agência Lusa o vice-presidente da Câmara Municipal Edson Santos.
Para além do troço inaugural, a segunda classificativa, de cerca de 20 km, liga Sever do Vouga a Albergaria-a-Velha, no fundo os três municípios que colaboram entre si para fazer regressar os pilotos mundiais de topo àquela região do distrito de Aveiro.
“Isto é um custo, não há dúvida nenhuma, mas para nós é mais do que isso, é um investimento”, vincou.
Na zona de público que a Lusa teve oportunidade de conhecer, previamente ao arranque do rali, nada parece faltar para a comodidade dos espetadores, a começar pelos próprios acessos, cerca de 700 metros por caminhos florestais limpos e arranjados, a partir de um parque de estacionamento com capacidade para centenas de viaturas.
Este representa, seja no acesso à ZE ou à ZP, uma vantagem enorme: o antigo itinerário do IP5 é hoje um troço sem saída ao longo de 1,5 Km onde os aficionados podem estacionar comodamente nos dois lados da estrada.
Edson Santos destacou neste investimento na acessibilidade dos espetadores também a instalação de vários pontos de recolha de lixo, casas de banho e até o transporte em veículos 4×4 aos espetadores que dele necessitem, a que se soma animação musical e comes e bebes, em colaboração com a associação local Descarrilados.
“Somos capital verde europeia e temos um cuidado ambiental em todo o lado e em todos os eventos. Está tudo organizado no sentido de bem receber as pessoas que vêm até Águeda”, adiantou o autarca.
À frente de todo o trabalho logístico no terreno (onde comanda uma equipa de dezenas de pessoas) está João Paulo, antigo professor de Educação Física e atual chefe de núcleo de gestão de equipamentos e eventos desportivos do município.
O responsável contou que a coordenação e a preparação de toda a logística do rali começou vários meses antes, seja pelos arranjos da classificativa propriamente dita, em piso de terra, até tudo o que é placas indicativas nos acessos, definição do plano de mobilidade dos espetadores – cuidando, igualmente, dos residentes nas aldeias vizinhas – refeições para a GNR e colaboradores da autarquia no dia da prova e a colaboração com diversas entidades associativas, no fundo um “trabalho em união”.
Águeda já era conhecida pelas duas rodas – do ciclismo ao motocrosse – e a Câmara pretende voltar a juntar as quatro rodas a esse plano, até pelas memórias que o Rali de Portugal deixou no município na década de 1980, quando se disputava o troço (noturno) do Préstimo.
“O rali traz memórias e as pessoas têm essa memória”, enfatizou o autarca.
A caminho da Zona de Público, a reportagem da Lusa partilhou com Alice Simões e a irmã Maria da Graça o transporte em viatura de todo-o-terreno, e testemunhou os olhos brilhantes e sorriso largo da senhora por ter chegado o dia do rali.
Foi criada numa localidade de Préstimo, por onde o rali passava “quando era garota” e reside na Moita, para onde se mudou há mais de 40 anos.
“Quando passavam lá, íamos para a serra, às vezes às 02:00 ou 03:00. Quando de lá saía, era só chegar a casa, tomar o pequeno-almoço, mudar de roupa e ir para a fábrica trabalhar. Agora que o rali passa aqui, venho sempre ver”, explicou.
Não conhece pilotos – os portugueses “não são daqui e os outros, os estrangeiros, são ainda de mais longe”, mas do que gosta mesmo é de ver os carros a acelerar e ouvir o barulho dos motores, recordando os tempos de jovem.
Lusa
