Após 16 anos de ausência, a Cortelha regressou pela porta grande ao Campeonato Nacional de Motocross com um excelente dia de corridas.
O domingo 3 de maio assinalou o, há muito esperado, regresso do Campeonato Nacional de Motocross ao Algarve e ao emblemático traçado do Circuito de Motocross da Cortelha, no coração da Serra do Caldeirão. Gerard Congost (MX1), Tomás Santos (MX2), Paulo Felícia (MX Veteranos), Bernardo Pinto (MX125 Júnior), Guilherme Gomes (MX85) e Ramón Campos (MX65) foram os vencedores do dia, um lote em que podemos incluir também a Associação dos Amigos da Cortelha, que colocou de pé uma grande prova, digna de um regresso tão aguardado e ao qual o público correspondeu, com cerca de dois mil espectadores presentes.
Como habitualmente foram as MX85 a abrir o programa de corridas, com o líder do campeonato, Guilherme Gomes (KTM), a assumir a liderança ainda na primeira volta, após o ‘holeshot’ de Thiago Rodríguez (Husqvarna), que passou para segundo na frente de uma inspirada Maria Inês Gandum (Husqvarna), ela que já se tinha também mostrado bastante à-vontade no traçado da Cortelha durante os treinos. Sensivelmente a meio da manga, Gui Gomes viu a sua moto começar a falhar, acabando por perder o comando para Rodríguez, que viria a ganhar, mas segurando o 2º posto à frente de Maria Inês.
Na segunda manga, o piloto de Soure voltou a assegurar o comando desde cedo e, desta vez, manteve-o até final, vencendo assim a geral com o mesmo número de pontos de Thiago Rodríguez, que foi 2º na frente de Salvador Campino (Yamaha), também 3º na geral, enquanto Maria Inês era forçada a desistir devido a uma queda perto do final, depois de ter rodado bastante tempo no 5º posto.
Guilherme Gomes aumenta assim a sua vantagem no topo da tabela do campeonato MX85, com 25 pontos sobre Thiago Rodríguez e 81 na frente de Nate dos Santos.
Nas MX65, o grupo de jovens e talentosos pilotos espanhóis que disputa esta classe continua a aumentar… e a vencer. Mas, desta feita, foi um nome recém-chegado a dominar na classe, Ramón Campos (KTM), vencendo ambas as mangas. Na primeira corrida bateu Lucas Araújo (KTM) por 3,6s, com Iker González (KTM) em 3º lugar. Na segunda manga Campos ganhou frente a dois compatriotas, Iker González e Enzo Outón (KTM), este último a liderar agora o campeonato com mais 3 pontos que González. Lucas Araújo foi 7º nesta manga mas conseguiu garantir o 3º posto da geral.
Entre as MX2, pelotão que integra também as MX125 Júnior, assistimos a duas mangas ganhas por pilotos espanhóis, mas acabou por ser um português a vencer a geral: Tomás Santos (KTM), a conquistar a sua primeira vitória em MX2, com os mesmos pontos de Vasco Salgado (Yamaha) mas beneficiando do 2º posto na última corrida (foi 3º na manga inaugural), com Vasco Salgado a obter idênticas classificações, mas por ordem invertida.
Alejo Peral (Beta), até aqui dominador do campeonato, venceu a primeira manga mas sofreu uma queda muito forte na segunda manga, quando seguia em terceiro lugar. Por sua vez, Gilen Albisua, que vira a sua GasGas ceder na primeira corrida, abandonando, acabou por vencer destacado a segunda manga. Mesmo com o ‘zero’ na segunda corrida, Alejo Peral continua a liderar o campeonato de MX2, com mais 8 pontos que Gilen Albisua e 19 que Tomás Santos.
Nas MX125 Júnior foi Bernardo Pinto (Yamaha) a vencer a geral, com um 1º e um 2º lugares, na frente de Gorka Gardoy (GasGas), 4º/1º, e Duarte Pinto (Yamaha), 2º/3º. Bernardo Pinto lidera agora este campeonato com apenas 1 ponto de vantagem sobre o seu irmão Duarte Pinto.
Finalmente, em MX1, assistimos a um Luís Outeiro (Yamaha) inspirado e aparentemente recuperado da lesão num joelho sofrida em Tarouca. O Campeão Nacional em título partiu mal, caindo para o 10º posto, mas foi recuperando terreno até alcançar e superar o líder, Gerard Gongost (GasGas), no último terço da corrida, acabando por bater o piloto espanhol por 10,2s. O ucraniano Semen Nerush (Honda) foi 3º colocado, seguido por Martim Palma (Ducati) e André Sérgio (Honda). Sandro Peixe (KTM) foi sexto na frente do melhor dos Veteranos, novamente Paulo Felícia (TM), que mantém a invencibilidade nesta classe.
Na segunda manga, que fechou o dia de corridas na Cortelha, Semen Nerush fez o holeshot, levando atrás de si Martim Palma, mas Gerard Congost rapidamente chegou à liderança, com Outeiro a colocar-se atrás de si à terceira passagem. Mas, algumas voltas depois, o nº1 foi perdendo terreno para terminar no 6º posto, posição que lhe daria o 3º lugar da geral. Congost viria a vencer com 9,2s de vantagem sobre o 2º colocado, Martim Palma, eles que seriam também os dois primeiros colocados da geral. Paulo Felícia voltou a vencer entre os Veteranos, a sua sexta vitória em outras tantas mangas.
Depois desta terceira ronda, o Campeonato Nacional de Motocross prossegue a 31 de maio em Lustosa, prova que encerra esta primeira fase da competição, que continuará em setembro em Alqueidão e Vieira do Minho, para se encerrar a época no Granho – a ronda ribatejana que recebeu recentemente nova data depois de ter sido adiada no início do ano devido ao mau tempo, conforme calendário abaixo:
Campeonato Nacional de Motocross
29 de março Tarouca (*)
5 de abril Casais de S. Quintino (*)
3 de maio Cortelha (*)
31 de maio Lustosa
13 de setembro Alqueidão
20 de setembro Vieira do Minho
8 de novembro Granho
29 de março Tarouca (*)
5 de abril Casais de S. Quintino (*)
3 de maio Cortelha (*)
31 de maio Lustosa
13 de setembro Alqueidão
20 de setembro Vieira do Minho
8 de novembro Granho
(* prova já disputada)
Foto: Bruno Martins / @focusphotography.pt
