A Associação Nacional do Ramo Automóvel (Aran) defendeu hoje que o Governo deve ter em cima da mesa medidas flexíveis de apoio ao setor prontas a implementar rapidamente caso se confirme uma escalada do preço dos combustíveis.
“No atual contexto justifica-se já sentarmo-nos e prepararmos tudo para ter imediatamente estes apoios a funcionar”, afirmou o presidente da direção da Aran, Rodrigo Ferreira da Silva, em declarações à agência Lusa no âmbito da conferência “Juntos criamos futuro – Together, Leading the way”, que a associação promove na quinta-feira em Vila Nova de Gaia.
Para o dirigente associativo, “a dificuldade neste momento é ter uma leitura e conseguir desenhar medidas de apoio que sejam de tal modo flexíveis que acompanhem as oscilações radicais que têm acontecido, tanto no mercado dos produtos petrolíferos, como nos mercados bolsistas e no mercado da dívida das obrigações dos países”.
“Nesta fase temos que fazer um acompanhamento quase diário destas situações, num sistema flexível que acompanhe a realidade e o dia a dia”, sustentou.
Assim, enfatizou, “é fundamental [o Governo] acompanhar a situação e ter a flexibilidade para agir muito rapidamente”, nomeadamente “se a situação for mais além e se prolongar no tempo”.
“O que não queremos são histórias de apoios e de recursos que são prometidos a certa altura e depois, na prática, não acontecem. Esperemos que sejam medidas fáceis de aplicar e que sejam rapidamente passadas para o mercado e para os consumidores, porque as pessoas precisam destes apoios no imediato, não com semanas ou meses de diferimento”, sublinhou.
Rodrigo Ferreira da Silva destacou que a escalada do preço do petróleo tem “um impacto muito grande em toda a cadeia de valor do setor” automóvel, desde logo porque leva à paragem ou menor circulação de veículos, que ao fazerem menos quilómetros precisam de menos revisões nos concessionários, penalizando o negócio pós-venda.
Paralelamente, a subida do preço dos combustíveis afeta também os custos do transporte dos veículos, das peças e dos lubrificantes automóveis, ou seja, a situação tem impacto “direto e de uma forma automática em toda a cadeia de valor”.
O presidente da Aran destaca, em particular, o caso das empresas de assistência em viagem (ou reboques), cujos veículos circulam em permanência e têm nos combustíveis o seu maior custo.
“A partir do momento que há qualquer variação no preço de combustível as suas operações já estão a perder dinheiro. Portanto, se se registarem aumentos muito significativos, temos que pedir ao Governo que olhe especificamente para esta área de negócio e dê um apoio, porque esta é uma área fundamental para o socorro na estrada e para a segurança rodoviária no país”, afirmou.
Na conferência agendada para quinta-feira em Gaia, distrito do Porto, a Aran propõe-se “apresentar uma visão 360º e orientar o setor para um futuro mais colaborativo e unido”, organizando para o efeito momentos de ‘networking’ entre as empresas associadas, entidades oficiais, parceiros e especialistas de diversos países.
Um dos principais temas em cima da mesa é a consolidação da China enquanto “nova superpotência do setor automóvel”, assumindo-se hoje este país como “novo líder mundial na produção de veículos, não só em volume, mas também no nível tecnológico e de inovação”.
“Os fabricantes chineses trazem carros muito competitivos em termos de preço, de equipamento, de tecnologia e de inovação e têm vindo a afirmar-se, já têm no mercado europeu uma cota acima dos 11%”, salientou Rodrigo Ferreira da Silva.
Ainda esta tarde, decorre no Porto uma reunião de trabalho do Conselho Europeu do Comércio e Reparação Automóvel (CECRA), que reúne as associações europeias do setor automóvel.
