Duarte Camelo deixou de ser promessa e passou a certeza na velocidade ibérica

A temporada de 2025 representou muito mais do que uma sucessão de bons resultados para Duarte Camelo. Foi o ano em que o jovem piloto de Lousada consolidou definitivamente o seu lugar entre os nomes mais competitivos da velocidade nacional e ibérica, assumindo um papel de protagonista no Campeonato de Portugal de Velocidade e nos Iberian Supercars, na exigente categoria GTX, ao lado de Pompeu Simões e aos comandos do Porsche Cayman CS GT4 da Speedy Motorsport.

O arranque da época, no Autódromo Internacional do Algarve, deixou claro que a dupla entrava em 2025 com ambições bem definidas. Nas qualificações, o andamento foi imediatamente competitivo, confirmando que havia condições reais para lutar pelas vitórias.

Na primeira corrida, um infortúnio afastou a possibilidade de triunfo, mas a resposta surgiu na segunda prova, disputada sob chuva intensa. Foi aí que Duarte Camelo protagonizou uma das suas atuações mais marcantes da época. “Sabia que à chuva podia fazer a diferença. Entrei com faca nos dentes, ataquei sempre que foi possível e cheguei ao final do meu stint na liderança. Foi uma corrida em que senti que estava completamente ligado ao carro”, explicou o piloto.

A vitória acabaria por escapar devido a uma penalização, mas a mensagem estava dada: Duarte Camelo tinha atingido um novo patamar competitivo.

Vila Real: estreia exigente e afirmação num circuito de respeito

A segunda ronda levou o campeonato até Vila Real, um circuito citadino tão icónico quanto implacável. Para Duarte Camelo, tratava-se da estreia absoluta neste traçado e também a primeira experiência em circuito urbano. “Os nervos estavam à flor da pele. É um circuito onde não há margem para erro, mas a vontade de vencer era enorme”, confessou.

A chuva voltou a ser um fator determinante e, mais uma vez, a dupla mostrou uma competitividade acima da média. A leitura correta das condições, aliada a uma abordagem madura, resultou numa dupla vitória, transformando um fim de semana potencialmente traiçoeiro num dos momentos altos da época.

Valência: pole position, contrariedade e maturidade estratégica

No Circuit Ricardo Tormo, em Valência, Duarte Camelo confirmou o excelente momento de forma ao conquistar a pole position, demonstrando não só velocidade pura, mas também consistência ao longo das sessões.

A primeira corrida viria, no entanto, a ser condicionada por uma entrada de safety car quando a dupla seguia na liderança, alterando a estratégia e empurrando-os para a quarta posição. “São situações que fazem parte das corridas. O mais importante foi manter a cabeça fria e pensar no campeonato”, sublinhou.

Na segunda corrida, essa maturidade revelou-se decisiva. Duarte entregou o carro na frente ao seu companheiro, permitindo uma gestão segura até à vitória, num exercício claro de inteligência competitiva.

Jerez: resiliência total e a consagração à geral

A etapa de Jerez de la Frontera assumiu um peso especial. Num circuito novo para Duarte Camelo, o fim de semana começou com forte andamento nas qualificações, deixando claro que o objetivo era discutir a vitória.

Na primeira corrida, quando liderava, uma nova intervenção do safety car voltou a baralhar as contas, relegando a dupla para a quarta posição. Longe de se deixar abalar, Duarte respondeu na segunda corrida com uma exibição irrepreensível, conquistando finalmente a primeira vitória à geral da temporada.

“Foi especial. Num circuito novo, contra adversários fortíssimos, conseguir vencer à geral deu-me uma confiança enorme. Foi a confirmação de que estávamos no caminho certo”, assumiu.

Estoril: inteligência, controlo e títulos assegurados

A ronda final, no Estoril, exigia maturidade e gestão emocional. Duarte Camelo e Pompeu Simões sabiam que não era necessário correr riscos desnecessários, mas também não podiam abdicar da competitividade que os trouxera até ali.

Desde as qualificações, o ritmo foi forte. Na primeira corrida, Duarte protagonizou um arranque brilhante, assumindo a liderança durante várias voltas. O terceiro lugar final foi suficiente para garantir, desde logo, os títulos de Campeões Nacionais e Ibéricos, coroando uma época construída com consistência e inteligência.

Um percurso de crescimento sustentado

O sucesso de 2025 é o reflexo de um caminho traçado com paciência. Duarte Camelo iniciou-se no karting, passou pelo rallycross e por várias categorias de formação, acumulando experiência e capacidade de adaptação. “Nunca dei saltos maiores do que a perna. Cada passo foi pensado para evoluir como piloto e como competidor”, refere.

Duarte Camelo fez questão de deixar um reconhecimento claro a todos os que tornaram este projeto possível: “Quero agradecer à minha família, que esteve sempre presente, aos patrocinadores SC Médica Clinic, Biofisa, Reference e DAC CC Investimentos, e ao meu parceiro Pompeu Simões, que acreditou em mim desde o início”.

Um agradecimento muito especial foi dirigido a Pedro Salvador, responsável pela Speedy, pela confiança depositada, e a Tiago Allen, peça-chave na comunicação e estratégia em pista: “O Tiago via os vídeos comigo, ajudava-me a interpretar cada momento da corrida e a delinear estratégias. É um verdadeiro mestre na leitura da competição”.

2026 em aberto, mas com ambição bem definida

Quanto ao futuro, 2026 permanece em aberto. O piloto encontra-se atualmente em negociações com parceiros para viabilizar o próximo passo, admitindo vários cenários: defender o título na GTX, subir para a GT4, ou realizar um ano de preparação para categorias superiores. A exigência académica (frequenta Medicina Dentária na CESPU) e a sustentabilidade do projeto serão fatores determinantes, mas a ambição permanece intacta.

Focado, determinado e cada vez mais completo, Duarte Camelo encerrou 2025 como uma das figuras da velocidade nacional e ibérica. A época confirmou o talento e anunciou um futuro onde os desafios serão maiores e as expectativas, inevitavelmente, mais altas.

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