- Maria Luís Gameiro completou a Etapa 10, segunda metade da segunda maratona, com o 52.º tempo na categoria Ultimate, um resultado notável dadas as limitações mecânicas
- A piloto portuguesa ocupa o 42º lugar na classificação geral dos Ultimate, consolidando uma presença de grande resiliência numa das etapas mais exigentes desta edição: 300 km de dunas puras com um diferencial danificado
- Com a assistência mecânica finalmente disponível em Bisha, a dupla Maria Luís / Rosa Romero terminou a segunda maratona com o MINI ainda em prova e a moral intacta, prontas para enfrentar a etapa de navegação mais desafiadora do Dakar 2026
A Etapa 10 do Dakar 2026 marcou o culminar de um desafio que exigiu tudo até dos pilotos mais experientes. Com 420 quilómetros cronometrados, dos quais 300 em dunas puras, a segunda metade da segunda maratona foi encarada por Maria Luís Gameiro e Rosa Romero como um exercício de fé, resistência e adaptação extrema. O facto de enfrentar este desafio monumental com um diferencial danificado – problema herdado do dia anterior – transformou a tarefa em algo que roça o extraordinário.
Apesar de todas as adversidades acumuladas ao longo da semana, a dupla portuguesa conseguiu não apenas chegar a Bisha, mas fazê-lo com o 52.º tempo do dia, um resultado surpreendentemente sólido considerando as circunstâncias. O MINI JCW T1+ da X-raid, maltratado, mas resistente, manteve-se em prova do início ao fim, permitindo que Maria e Rosa completassem aquele que é frequentemente apontado como o maior teste de pilotagem em dunas de todo este Dakar.
O 42.º lugar entre os Ultimate, não reflete o esforço e a coragem que a dupla tem revelado ao longo destes dias. Chegar ao fim de uma segunda maratona tão brutalmente exigente, particularmente com limitações mecânicas significativas, é algo que apenas concorrentes de muito grande nível de empenho conseguem realizar. A meta final aproxima-se, e cada etapa agora é uma vitória em si mesma.
Declarações de Maria Luís Gameiro
Com a sua habitual boa disposição, Maria Luís fez o balanço do que foi uma etapa positiva, quando tudo apontava para um dia dificil e com o fantasma da transmissão avariada a assombrar esta tirada:
“Conseguimos! Chegámos ao fim da segunda maratona com o nosso MINI inteiro, apesar de todos os contratempos. O problema na transmissão preocupou-nos constantemente, mas o carro aguentou. Hoje foram 420 quilómetros com um mar de dunas pela frente, começámos cautelosos mas ganhámos confiança ao longo da etapa e conseguimos muitas ultrapassagens. Não fosse a preocupação com a transmissão, teria sido excelente.
Faltam três etapas para o fim. E a etapa de amanhã vai exigir muito ao nível da navegação. Mas a parceria com a Rosa está cada vez melhor e estou certa que vamos fazer um excelente trabalho. Apesar cansada, ter percorrido o lindíssimo deserto saudita renovou a minha motivação para chegar ao fim. “
Etapa 11 – a armadilha de navegação
Amanhã, 15 de janeiro, Maria enfrenta aquilo que muitos consideram a etapa mais difícil de 2026 em termos de orientação: a Etapa 11, um desafio de 347 quilómetros entre Bisha e Al Henakiyah. O traçado atravessa desfiladeiros labirínticos repletos de interseções múltiplas e waypoints complicados, criando um cenário em que o risco de se perder é altíssimo e onde um erro de navegação pode custar muito tempo.
Nesta etapa, Rosa Romero assume um papel absolutamente crucial: a navegação não é apenas importante, é determinante. Para Maria, o desafio será confiar plenamente nas instruções da navegadora, manter a concentração total e adaptar-se rapidamente a mudanças de rumo num terreno onde os pontos de referência são mínimos e as armadilhas visuais abundam.
Depois de duas maratonas consecutivas vividas à beira do abismo, a etapa de amanhã representa um teste diferente – não de sobrevivência mecânica, mas de precisão mental absoluta, numa fase em que o esforço físico se fase notar cada vez mais. É, porventura, tão duro quanto os 300 km de dunas de ontem, mas de forma radicalmente diferente.
