Problemas mecânicos “tramam” Maria Luís Gameiro na Etapa 9

  • Maria Luís Gameiro enfrentou uma das etapas mais duras deste Dakar 2026 na Etapa 9, penalizada por problemas no diferencial do MINI JCW T1+ em plena segunda maratona 
  • A avaria, provocada por um toque numa pedra ao tentar ultrapassar outro concorrente, obrigou a dupla a rolar muito devagar, acumulando atraso e recebendo ainda uma penalização de dois minutos, num dia já marcado por navegação complicada para grande parte do pelotão. 
  • Sem assistência permitida no bivouac “refúgio”, caberá agora a Maria e Rosa gerir o MINI e a condição física rumo à Etapa 10, um enorme desafio de 420 km cronometrados com cerca de 300 km de dunas, decisivo para o desfecho deste Dakar.

A Etapa 9 do Dakar 2026, primeira metade da segunda maratona, voltou a colocar à prova a capacidade de resistência e a mentalidade de Maria Luís Gameiro. Num dia já de si muito complexo ao nível da navegação, com inúmeros concorrentes a perderem tempo à procura do rumo certo, a piloto portuguesa viu ainda o azar voltar a bater-lhe à porta, desta vez através de um problema no diferencial do MINI JCW T1+.

Quando tentava ultrapassar um concorrente que dificultava a manobra de passagem, a dupla saiu ligeiramente da linha ideal e acabou por bater com o diferencial numa pedra de grandes dimensões. O toque danificou o diferencial e obrigou Maria e Rosa Romero a pararem na zona prevista para a troca de pneus, tentando perceber até onde seria possível “remendar” a situação para continuar em prova.

Depois de alguma intervenção possível no local, a etapa prosseguiu, mas em modo claramente condicionado: o diferencial passou a fazer um barulho preocupante, obrigando a dupla a adotar um andamento muito mais cauteloso, focado em chegar ao fim em vez de lutar por um resultado forte na classificação diária. A isto somaram‑se ainda as dificuldades de navegação que afetaram não só Maria e Rosa, mas também muitos outros concorrentes, contribuindo para um atraso considerável num dia em que tudo conspirou para tornar o desafio ainda mais duro.

Apesar de tudo, a dupla conseguiu chegar ao bivouac “refúgio”, mantendo o MINI em condições de seguir. O cenário é longe de ideal, mas o facto de ainda haver tração integral, embora com o diferencial danificado, mantém viva a possibilidade de enfrentar a segunda metade da maratona – e, acima de tudo, de continuar a lutar para chegar à meta final deste Dakar.

Declarações de Maria Luís Gameiro

Depois de mais um dia de trabalho intenso, onde foi necessária resiliência e determinação para chegar ao fim, Maria Luís não baixava os braços e apresentava um ânimo impressionante para quem tinha terminado o terceiro dia consecutivo com problemas:

“Foi um dia complicado, sem dúvida! A etapa já era difícil pela navegação, mas nós conseguimos ainda arranjar maneira de a tornar mais dura. Estávamos a tentar ultrapassar um concorrente que não nos deixava passar, saímos um pouco fora de pista e acabámos por bater com o diferencial numa pedra daquelas grandes, das que não conseguimos evitar. A partir daí ficámos logo com o coração nas mãos. 

Parámos na zona da troca de pneus para ver o que era possível fazer ali, no imediato. Conseguimos ‘compor’ minimamente a situação, mas o diferencial ficou a fazer um barulho medonho e, a partir desse momento, o objetivo mudou: deixou de ser tentar fazer bem fosse o que fosse e passou a ser simplesmente chegar ao fim. Seguimos muito devagar, sempre a ouvir o barulho e a tentar perceber se o carro ia aguentar até ao bivouac.

Como se isso não bastasse, ainda andámos perdidas algum tempo – nós e muitos outros. A navegação hoje foi mesmo complicada e isso feznos perder ainda mais minutos. Ainda assim, no meio disto tudo, o mais importante é que chegámos ao acampamento.

O lado bom é que continuamos com tração integral, o diferencial ainda funciona, acho, mesmo danificado, e isso dános alguma margem para amanhã. Vamos ter de andar devagar, gerir muito bem o carro e aceitar que não é dia para grandes andamentos. Eu costumo dizer que, enquanto o Dakar nos deixar andar, eu vou andando. Posso ir mais devagar, mas o importante é continuar em prova e chegar ao fim.”

Etapa 10 – O exame final nas dunas

Amanhã, 14 de janeiro, chega o que muitos consideram o teste definitivo deste Dakar 2026: a Etapa 10, segunda metade da maratona, com 420 quilómetros cronometrados, dos quais cerca de 300 quilómetros serão de dunas puras. É o maior desafio de pilotagem em areia de toda a edição, uma autêntica prova de fogo para máquinas e pilotos.

Se Maria e Rosa terão de enfrentar estes 420 km com cautelas redobradas com um MINI a precisar de assitência, cenário que tornará a jornada ainda mais difícil e exigente. Para chegar a Bisha e pôr fim à segunda maratona – momento em que a assistência mecânica regressa e os mecânicos da X-raid poderão finalmente intervir em profundidade – será necessário percorrer 300 km de dunas sem margem para erro. Conservar o carro, tomar decisões inteligentes a cada crista e resistir mental e fisicamente a um dos dias mais extremos do rali serão as chaves para manter vivo o grande objetivo: chegar ao fim deste Dakar.

Enviar Comentário

Scroll to Top

Newsletter

Subscreva a Nossa Newsletter e fique a par de todas as notícias, sobre o desporto motorizado.

Newsletter