- Maria Luís Gameiro terminou a Etapa 8 do Dakar 2026 com o 58.º tempo na categoria Ultimate, em mais um dia de muito trabalho para a dupla da X-Raid
- A piloto portuguesa ficou presa numa duna, o que motivou mais uma grande perda de tempo. Ainda assim, manteve a 39.ª posição na classificação geral dos Ultimate
- Num loop exigente em torno de Wadi Ad-Dawasir, os furos comprometeram um melhor resultado, em mais um dia repleto de desafios
A Etapa 8 do Dakar 2026, disputada em torno de Wadi Ad-Dawasir, foi encarada por Maria Luís Gameiro como um dia-chave de gestão antes da temida segunda maratona. Mas a gestão física acabou por ficar comprometida, numa tirada dura, com muitas contrariedades para a piloto portuguesa, navegada por Rosa Romero no MINI JCW T1+ da X-Raid. O 58.º tempo do dia na categoria Ultimate é reflexo disso, mas resultado permitiu-lhe manter a 39.ª posição na classificação geral.
Depois de um regresso à competição particularmente duro– marcado por problemas mecânicos na etapa anterior e por muito tempo passado no pó e em trilhos degradados – a prioridade passou por evitar danos, poupar máquina e corpo e limitar riscos. Mas ainda assim, houve trabalho redobrado. Uma duna mais exigente deixou o MINI JCW T1+ preso, o que obrigou a dupla a cavar durante cerca de uma hora para conseguir seguir viagem. Os contratempos não se ficaram por aqui e seguiu-se um furo e mais tempo perdido. Na tentativa de recuperar algum tempo, Maria Luís aumentou o ritmo, mas acabou por pagara a fatura com novo furo. Restou completar a etapa com cautelas, garantindo a presença no final da etapa.
Mesmo sem um resultado brilhante em termos de classificação, o balanço interno é positivo: Maria sai de Wadi Ad-Dawasir com o carro inteiro e a manutenção do 39.º lugar. A exigência física é que foi acima do esperado, especialmente antes de uma etapa maratona.
Declarações de Maria Luís Gameiro
Num começo de segunda semana repleto de desafios, Maria Luís não deixa esmorecer o ânimo. Ciente que amanhã terá de enfrentar nova etapa Maratona, segue com a mesma confiança e a mesma vontade:
“Hoje voltámos a ter direito a mais uma verdadeira aventura daquelas à Dakar. A etapa em si já era exigente, mas acabámos por enfrentar um dia ainda mais complicado. A certa altura ficámos literalmente penduradas numa duna, com as quatro rodas no ar. Tivemos de cavar durante cerca de uma hora para conseguir tirar o MINI daquela posição. Mais uma grande tareia! Depois disso ainda tentámos recuperar alguns lugares, mas não foi fácil. Tivemos um furo, voltámos a forçar um pouco o andamento para ganhar tempo e acabámos por ter outro furo. A partir daí, deixou de haver espaço para arriscar.
O resto do dia foi vivido em modo sobrevivência: gerir o que tínhamos, proteger o carro e garantir que chegávamos ao fim. Não era o dia que queríamos em termos de resultado, mas, perante tudo o que nos aconteceu, só podemos estar satisfeitas por ter conseguido trazer o MINI inteiro até ao fim da especial e manter a classificação geral. Aqui, muitas vezes, o verdadeiro sucesso é mesmo conseguir chegar ao bivouac. Foi duro, estamos cansadas, mas igualmente determinadas em continuar nesta prova e mostrar a nossa fibra.”
Etapa 9 – A segunda maratona
Amanhã, 13 de janeiro, marca o arranque da segunda maratona do Dakar 2026 – e, se a primeira passagem por AlUla foi uma espécie de “educação”, esta nova maratona será o verdadeiro exame final. A Etapa 9 leva Maria e Rosa rumo a Bisha, onde as aguarda um novo bivouac “refúgio”, com 418 quilómetros cronometrados sem qualquer assistência externa pelo caminho.
A primeira metade da especial será marcada por muita pedra, exigindo uma pilotagem precisa, gestão rigorosa dos pneus e enorme cuidado para evitar danos mecânicos logo na fase inicial. Mais perto do final, o cenário muda para dunas, que servirão de derradeiro filtro antes da chegada ao bivouac, onde a dupla terá apenas o mínimo indispensável para descansar e cuidar do MINI. Será um dia de equilíbrio fino entre atacar e sobreviver: conservar o carro, evitar erros e chegar inteira ao “refúgio” será tão importante quanto o tempo feito na especial, numa etapa que pode definir, em muito, o desfecho deste Dakar para Maria Luís Gameiro.
