Problemas na caixa de velocidades travam recuperação de Maria Luís Gameiro

  • Maria Luís Gameiro completou a Etapa 7 do Dakar 2026 com o 59.º tempo na categoria Ultimate, num dia marcado por problemas mecânicos que condicionaram severamente o andamento. 
  • Uma avaria na caixa de velocidades resultou numa perda de tempo significativa e o regresso ao bivouac chegou a estar em causa. 
  • Com este contratempo, Maria desce do 35.º para o 39.º lugar na classificação geral dos Ultimate, mas mantém o foco em gerir o que resta da prova e em chegar ao final deste Dakar duríssimo.

A Etapa 7 do Dakar 2026 revelou-se um dos dias mais difíceis para Maria Luís Gameiro nesta edição. Depois de uma primeira semana em clara trajetória ascendente, a piloto portuguesa foi hoje penalizada por problemas mecânicos na caixa de velocidades do MINI JCW T1+, uma limitação que se manifestou bem cedo na etapa e que complicou sobremaneira a tarefa da tripulação do MINI da X-Raid.

Maria Luís Gameiro e Rosa Romero foram obrigadas a encontrar alternativas, perdendo muito tempo, o que se refletiu na classificação geral. Com os problemas a multiplicarem-se ao longo dos 459 km percorridos hoje (mais 418 km de ligação), o regresso ao bivouac chegou mesmo a estar em causa. Mas a tenacidade de Maria Luís voltou a ser uma arma poderosa. Apesar do esforço e da capacidade de adaptação, o impacto no cronómetro foi inevitável, com a dupla a terminar o dia com o 59.º tempo na categoria Ultimate.

Na classificação geral, o revés também se fez sentir. Depois de ter começado o dia no 35.º lugar, Maria cai agora para o 39.º posto entre os Ultimate, vendo momentaneamente interrompida a recuperação que vinha a operar desde o início da semana. Ainda assim, num Dakar tão exigente, manter o MINI em prova e limitar danos num dia problemático é, por si só, um exercício de resiliência impressionante.

Declarações de Maria Luís Gameiro

Depois de um extenuante dia, Maria Luís mostrou o seu habitual otimismo no final da etapa 7. Mais uma verdadeira aventura vivida hoje, mas com a alegria de ter chegado ao bivouac sem penalizações e com vontade de continuar esta grande aventura:

“Enfrentamos mais um dia muito duro. Tivemos um problema com a caixa de velocidades, que se revelou por volta do quilómetro 30. Começámos por ficar sem marcha-atrás numa duna e estivemos mais de meia hora à espera de ajuda. Daí para a frente tivemos sempre que andar com muito cuidado. As luzes de aviso do diferencial acendiam-se cada vez que exigíamos um pouco mais de força ao nosso MINI, com as temperaturas sempre muito altas. Portanto, acabamos por ter que fazer os restantes 400 km sempre a gerir, com um andamento muito contido, com cuidados redobrados.

Mas o dia traria ainda mais um susto! Já na zona de chegada, quando parei o carro, ficamos também sem a primeira velocidade. Foi preciso perder mais algum tempo, e recorrer mais uma vez a ajuda de outros concorrentes. Fomos empurradas para conseguir pôr o carro a mexer e vir o mais rapidamente possível para o bivouac para evitar penalizações. 

Apesar de tudo o que aconteceu, só posso estar feliz por ter conseguido trazer o carro até ao final. É quase inacreditável face àquilo que previ logo naquele km 30. Achei realmente que a caixa ia ceder e que não íamos conseguir chegar ao fim.

Agora a equipa tratará do carro e amanhã, há de estar tudo pronto para voltarmos ao ataque. Naturalmente, partir novamente de trás vai complicar-nos a vida e exigir uma gestão do esforço muito grande. Mas estamos contentes por termos chegado ao fim desta etapa e podermos continuar a lutar neste duríssimo Dakar”. 

Etapa 8 – Gestão antes da segunda maratona

Amanhã, 12 de janeiro, a caravana enfrenta a Etapa 8, um loop em redor de Wadi Ad-Dawasir com 483 quilómetros cronometrados (238 km de ligação), explorando os planaltos rápidos da região que não é percorrida pelo Dakar desde 2022. Será preciso uma grande dose de versatilidade, com zonas rápidas, desfiladeiros e mudanças drásticas de direção, em mais um grande desafio de navegação. Esta será a última etapa “normal” antes da temida segunda maratona, o que lhe confere um peso estratégico muito particular: ninguém quer chegar às próximas duas jornadas decisivas com problemas mecânicos acumulados.

​Para Maria Luís e Rosa Romero, a estratégia é clara: completar a etapa sem danos, preservar o MINI JCW T1+ e gerir a energia física e mental. Qualquer falha pode deitar por terra quase duas semanas de esforço. O equilíbrio entre atacar e proteger o material será determinante. O grande teste final aproxima‑se, e esta Etapa 8 será a ponte entre a gestão inteligente e a resistência extrema que ainda vai ser exigida.

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