Furos e calor abrasador não travam conquista de posições para Maria Luís Gameiro

  • Maria Luís Gameiro conclui a Etapa 1 (Yanbu–Yanbu) do Dakar 2026 com o 56.º tempo na categoria Ultimate, consolidando um arranque consistente na sua segunda participação no rali, apesar das grandes dificuldades. 
  • A dupla feminina formada por Maria Luís e Rosa Romero não evitou dois furos no MINI JCW T1+ da X-Raid, com o calor abrasador no interior da máquina a complicar sobremaneira a tarefa da tripulação. 
  • Amanhã, a Etapa 2 leva a caravana de Yanbu até às paisagens majestosas de AlUla, num desafio de 400 quilómetros cronometrados sobre terreno variado, agressivo e tecnicamente exigente. 

Depois de um prólogo cumprido dentro da estratégia definida, Maria Luís Gameiro enfrentou hoje a primeira verdadeira etapa do Rally Dakar 2026, num exigente loop com partida e chegada em Yanbu. A piloto portuguesa, aos comandos do MINI JCW T1+ da X-Raid e navegada pela espanhola Rosa Romero, assinou o 56.º tempo na categoria Ultimate, depois de percorridos 305 km contra o relógio, mais 213 km de ligações, num dia em que o objetivo principal passou por evitar erros, ler bem o terreno e continuar a construir confiança na máquina e na navegação.

​O traçado da Etapa 1 combinou setores mais técnicos com zonas de maior velocidade, num dia típico de abertura de Dakar: seletivo o suficiente para expor fragilidades, mas ainda longe da dureza extrema das jornadas que se aproximam. Ao longo dos quilómetros, Maria Luís e Rosa foram gerindo o risco em zonas mais traiçoeiras, mas não conseguiram evitar dois furos que comprometeram o tempo final nesta etapa. No entanto a maior dificuldade foi sentida dentro do cockpit do Mini. Uma falha no ar condicionado elevou até níveis insuportáveis a temperatura no interior da máquina, o que obrigou a reduzir o ritmo, o que comprometeu o tempo final.

Declarações de Maria Luís Gameiro

No final da etapa, Maria Luís estava esgotada fisicamente, mas agradada com o tempo, apesar dos desafios enfrentados e superados:

“Terminamos este exigente primeiro dia com um misto de sensações Foi um dia de altos e baixos, com muito calor. Tivemos dois furos que nos atrasaram muito, mas o pior foi mesmo a falha do ar condicionado do Mini. O ar que entrava no habitáculo era ainda mais quente do que se sentia no exterior e elevou a temperatura para níveis insuportáveis. Tive de abrandar porque começámos a sentir-nos indispostas. Ao rolarmos mais devagar começaram a chegar os SSV que comprometeram a visibilidade. Mais paragens, mais pó, mais atrasos. Sei que, sem percalços, podíamos ter feito muito melhor, mas o tempo acabou por não ser tão mau quanto antecipávamos. Todavia, este dia também foi bom para afinarmos algumas coisas dentro do carro e no modo como gerimos a corrida. Por fim, tivemos ainda uma penalização de dois minutos, fruto de um erro numa zona de controlo de velocidade, mas nada de grave e sem consequências de maior na nossa performance. Há tanto Dakar pela frente que este tempo perdido é não mais do que um “grão de areia”. 

O primeiro capítulo desta magnífica epopeia está já escrito. Maria Luís tem bem definido o que quer para estes primeiros dias e está a cumprir de forma rigorosa o que foi delineado. Há muitos quilómetros pela frente e o importante e garantir que todas as condições estão reunidas para completar a prova, com um ritmo competitivo mas uma gestão inteligente. Mas fica a nota para a exigência física deste primeiro dia.

Etapa 2 – Rumo a AlUla

Amanhã, 5 de janeiro, o cenário será diferente. A Etapa 2 abandona os arredores de Yanbu e segue rumo norte, em direção às paisagens majestosas de AlUla – 400 quilómetros cronometrados de terreno variado e impiedoso. Será uma etapa onde o ritmo irá variar constantemente, especialmente nos primeiros 200 km, com secções mais rápidas intercaladas com secções recheadas de rochas que podem provocar furos e / ou danificar a mecânica.​

AlUla, declarada Património Mundial da UNESCO pelas suas paisagens arqueológicas e formações rochosas milenares, será a recompensa no final – mas chegar lá exigirá gestão inteligente de pneus, ritmo controlado e navegação impecável de Rosa Romero. Maria Luís quererá manter a estratégia de evitar exageros e respeitar a mecânica, lição que aprendeu na edição 2025 do Dakar.

Enviar Comentário

Scroll to Top

Newsletter

Subscreva a Nossa Newsletter e fique a par de todas as notícias, sobre o desporto motorizado.

Newsletter