A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD registou um aumento de 28% nos lucros no terceiro trimestre, impulsionado pelo crescimento das exportações, que ajudou a compensar a quebra das vendas no mercado interno.
Segundo os resultados divulgados na quinta-feira, o lucro líquido da empresa, sediada em Shenzhen, atingiu 10 mil milhões de yuan (1,34 mil milhões de euros) entre julho e setembro, enquanto as receitas cresceram 14%, para 221,5 mil milhões de yuan (29,71 mil milhões de euros).
Ambos os indicadores ficaram abaixo das expectativas dos analistas, segundo dados compilados pela agência Bloomberg.
Nos primeiros nove meses do ano, as receitas da BYD mantiveram-se praticamente inalteradas face ao período homólogo, enquanto os lucros registaram uma ligeira queda.
A fabricante vendeu 3,1 milhões de veículos entre janeiro e setembro, menos 4% do que no mesmo período de 2025, mas as exportações quase duplicaram, ultrapassando 1,3 milhões de unidades.
Na Europa e no Reino Unido, as vendas da BYD mais do que duplicaram até setembro, atingindo cerca de 284 mil veículos, o equivalente a uma quota de mercado de 2,7%, segundo a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
A expansão internacional tornou-se cada vez mais importante para a empresa, perante a intensificação da concorrência entre fabricantes chineses, a redução dos subsídios públicos à compra de veículos elétricos e as medidas das autoridades contra práticas comerciais que prejudicam os fornecedores.
De acordo com a consultora Automobility, as exportações totais de automóveis da China aumentaram 67% este ano, para 8,2 milhões de unidades, ultrapassando já o recorde registado em 2025.
Em contrapartida, as vendas no mercado interno chinês caíram mais de 22% em termos homólogos, com os automóveis a gasolina e gasóleo a registarem uma quebra de cerca de um terço.
Apesar do abrandamento, os veículos elétricos e híbridos continuam a representar cerca de dois terços das vendas de automóveis na China, o maior mercado automóvel mundial.
A BYD mantém a liderança neste segmento, com uma quota de 22%, segundo a Automobility.
A empresa está também a acelerar a construção de unidades de produção fora da China, numa altura em que o aumento das exportações de automóveis chineses tem provocado tensões comerciais com vários parceiros internacionais.
Paralelamente, a BYD está a reduzir a dependência do financiamento através dos seus fornecedores, tendo amortizado 109,9 mil milhões de yuan (14,74 mil milhões de euros) em dívida nos primeiros nove meses do ano, quase o triplo do valor registado no período homólogo.
As disponibilidades de caixa e equivalentes diminuíram cerca de dois terços, para 29,8 mil milhões de yuan (4 mil, milhões de euros), segundo os resultados financeiros.
Lusa
