- Princípio de incêndio no carro não mancha prestação regular durante toda a prova
No final da prova organizada pelo Clube Automóvel do Centro estivemos à conversa com o porta voz da equipa do Opel Corsa D Célio Costa.
Um rali que estava a correr bem, mas um problema no carro fez com que as coisas não terminassem como esperado…. Ainda assim fazem um balanço desta prova?
“O balanço que fazemos da prova é bastante positivo, apesar de todos os contratempos que enfrentámos. Foi um rali de muita aprendizagem, sobretudo para mim, uma vez que ainda tinha poucos quilómetros feitos com o carro e precisava de ganhar confiança e perceber melhor o seu comportamento.
O sábado correu muito bem, tanto na primeira passagem pelos troços como na super-especial, onde o carro teve um comportamento que superou as nossas expectativas. Entrámos no domingo motivados e com ainda mais confiança, sentindo que estávamos a evoluir a cada quilómetro.
Infelizmente, na primeira passagem por Portunhos, tivemos um problema mecânico que provocou uma fuga de óleo no motor e acabou por originar dois pequenos focos de incêndio. Foi uma situação delicada, mas, felizmente, conseguimos chegar ao final do troço e, com a ajuda dos bombeiros, extinguir os focos de incêndio.
Depois disso, conseguimos repor o óleo e continuar em prova. No entanto, na primeira passagem pelo troço de Sepins, tivemos de circular muito devagar, com os quatro piscas ligados, uma vez que o motor estava bastante sujo de óleo e precisávamos de evitar o seu aquecimento excessivo, para prevenir um novo incêndio até chegarmos à assistência, onde seria possível fazer uma lavagem adequada do motor. Foi uma decisão de prudência, pois a nossa prioridade era chegar à assistência em segurança e tentar dar continuidade à prova.
Naturalmente, depois de um episódio destes, fica sempre alguma preocupação quanto à fiabilidade do carro. Ainda assim, continuámos determinados e, nas segundas passagens pelos troços, senti que o rali começou verdadeiramente para mim. Consegui desfrutar mais da condução, especialmente em Sepins, onde fui melhorando os meus tempos e superando os meus próprios limites. Foi uma batalha pessoal muito gratificante e uma experiência que levo comigo para a vida como uma aprendizagem importante.
É claro que gostaríamos de ter terminado a prova de outra forma, mas o desporto automóvel também é feito destes desafios. Quero agradecer ao Francisco Barros por me ter acompanhado nesta experiência, à Silva Motorsport, em particular ao senhor Silva, por toda a disponibilidade e pelo excelente apoio prestado, e à organização por todo o trabalho desenvolvido.
Acima de tudo, saímos desta prova com uma experiência muito positiva, mais conhecimento e ainda mais vontade de continuar a evoluir.”
Depois de concretizado este “sonho” antigo deve ter ficado esse bichinho… Como vai ser daqui para a frente? Há projetos?
“A primeira coisa que me vem à cabeça, até em tom de brincadeira, é perguntar: «Como é que há vida depois disto?» (risos). A verdade é que esta experiência superou as minhas expectativas e, se antes já existia o bichinho dos ralis, agora posso dizer que cresceu e se transformou num verdadeiro monstro, com muita vontade de voltar.
Este era um sonho antigo que tive a oportunidade de concretizar e que me deixou ainda mais motivado para continuar. Naturalmente, o meu desejo é voltar às estradas o mais brevemente possível, mas sabemos que o desporto automóvel, e os ralis em particular, envolve um investimento considerável.
Por isso, agora é tempo de fazer as coisas com os pés bem assentes na terra, procurar reunir as condições necessárias e tentar construir um projeto que nos permita regressar. Ainda não há nada definido, mas a vontade está cá e, se conseguirmos encontrar as condições certas, espero que esta experiência tenha sido apenas o início de um caminho que gostava muito de continuar a percorrer.”
Para estar à partida numa prova são necessários sempre muitos apoios queres falar de quem vos ajudou a colocar de pé este projeto de participar no Rali de Cantanhede?
“Este projeto foi, acima de tudo, um investimento pessoal, mas também teve um significado muito especial pelo apoio que recebi das pessoas que me são próximas. No meu aniversário, em dezembro do ano passado, alguns amigos reuniram-se e juntaram dinheiro para me oferecerem a inscrição neste rali, contribuindo também para algumas das despesas. Foi um gesto que me marcou profundamente e pelo qual lhes ficarei sempre grato. Foi a primeira vez que senti alguém juntar-se desta forma para me ajudar a concretizar um sonho, e isso tem um valor que vai muito além do dinheiro.
Quanto ao futuro, ainda não temos nada definido. Teremos de voltar a fazer contas, reunir condições e perceber até onde conseguimos ir. Gostaríamos muito de conseguir regressar à competição e, se possível, dar um passo em frente, com um projeto mais estruturado.
Um dos nossos objetivos seria conseguir o apoio de alguma empresa, entidade ou marca que acreditasse em nós e quisesse associar-se a este projeto. Se reuníssemos as condições necessárias, seria muito interessante participar em algumas provas do Campeonato Regional Centro, por exemplo, ou até ambicionar um projeto no Series, sempre de acordo com as possibilidades que conseguíssemos reunir.
Sabemos que não é fácil, porque o desporto automóvel exige um investimento significativo, mas estamos disponíveis para conversar com quem possa ter interesse em apoiar-nos. Para já, o mais importante é manter viva esta vontade e tentar transformar este primeiro passo num projeto com continuidade. Seria um enorme privilégio voltar a vestir o fato, entrar no carro e representar todos aqueles que acreditam em nós.”
Alguma coisa que não tenhamos falado anteriormente, mas que seja importante referir…
“Quero deixar uma palavra de agradecimento ao Clube de Automóvel do Centro pelo excelente rali que organizou e pelo trabalho desenvolvido na preparação dos troços deste ano. Foram troços espetaculares, dos quais gostei particularmente de Sepins, por quem fiquei verdadeiramente apaixonado, e também de Portunhos, que me proporcionou momentos muito especiais ao volante.
Quero agradecer igualmente a todas as pessoas que se deslocaram para acompanhar o rali e que contribuíram para criar uma moldura humana fantástica ao longo dos troços. É muito bom sentir esse entusiasmo e perceber que há tanta gente a viver o desporto automóvel com a mesma paixão.
Um agradecimento muito especial a todas as pessoas que me são próximas, pelo apoio e incentivo, ao senhor Silva, da Silva Motorsport, por toda a disponibilidade e assistência ao longo da prova, e, naturalmente, ao Francisco Barros, que foi excecional não só como navegador, mas também como pessoa e amigo. Ter alguém assim ao nosso lado faz toda a diferença, dentro e fora do carro.
Saio desta experiência de coração cheio, com uma enorme gratidão por todos os que fizeram parte dela e com a felicidade de ter concretizado um sonho que me acompanhava há cerca de 30 anos. Nem todos os dias temos a oportunidade de realizar um sonho tão antigo e, por isso, levo desta experiência muito mais do que uma participação num rali: levo memórias, aprendizagens e a certeza de que vale a pena continuar a acreditar naquilo que nos faz feliz.
Resumo da classificação
24º da geral
19 º no Campeonato Regional Centro
3º Classe X2-11















