Arrancou finalmente a histórica 100ª edição dos ‘Seis Dias – Enduro das Nações’, que até sábado se disputa no Litoral Alentejano. Num dia marcado por muito pó e saindo atrás, as Seleções Nacionais de Portugal estão todas em prova sem percalços.
A mais antiga prova disputada sob a égide da Federação Internacional de Motociclismo arrancou hoje em Grândola. Desde 1913 em Carlisle e até à presente edição que se joga no Litoral Alentejano ao longo desta semana, são 100 edições desta histórica competição. Falamos, é claro, dos ‘Seis Dias – Enduro das Nações’, até aqui conhecidos como International Six Days Enduro (e, inicialmente, International Six Days Trial).
Hoje, foram perto de cinco centenas de pilotos que se lançaram num dia por todos cotado como muito difícil, com o piso seco e o pó a prejudicarem especialmente quem partia mais atrás, como foi o caso das seleções de Portugal – em função dos resultados menos bons obtidos no ano passado.
O percurso deste primeiro dia, que será repetido amanhã, tinha no ‘menu’ duas voltas de 120 km, entre Santiago do Cacém e Odemira, que incluiu as três especiais por volta, a que se acresce a distância inicial desde Grândola, onde está montado o paddock e centro de operações, e regresso, num total de 287 km e cerca de oito horas em cima da moto.
Em termos desportivos, a Seleção Sénior de Portugal, concorrente ao Troféu Mundial e composta por Luís Oliveira, Renato Silva, Gonçalo Reis e Sebastian Bühler, terminou o dia no 9º posto entre as 17 equipas do Troféu Mundial, numa toada relativamente cautelosa e marcada pelo pó, que deverá ser menos castigador no dia de amanhã, pois todos partirão numa posição mais adiantada. Renato Silva foi o mais rápido da equipa sénior, batendo Luís Oliveira por menos de 1 segundo num dia em que ambos mantiveram uma animada ‘discussão’.
Na frente, domínio para a detentora do Troféu, a Itália, com Andrea Verona a ganhar o dia em termos individuais e a formação transalpina júnior também a comandar a sua competição.
Na equipa júnior nacional, o destaque vai para Ruben Ferreira, o mais rápido entre todos os pilotos portugueses, destacando-se dos seus companheiros de equipa Francisco Leite e Luís Pinto. Sendo bastante prejudicada por sair muito atrás, a formação júnior de Portugal ocupa o 11º posto do seu troféu, mostrando-se motivada para subir na classificação.
Quando à formação nacional que disputa o Troféu Mundial de Senhoras, em que alinham dez equipas, o trio luso esteve muito bem ao longo do dia, com Joana Gonçalves a destacar-se no 9º posto entre as três dezenas de pilotos da sua classe. A equipa portuguesa terminaria no 5º posto, mas, depois de atribuídas penalizações a Rita Vieira (1 minutos) e Francisca Henriques (4 minutos), a seleção nacional deverá cair para o 7º posto – classificações a confirmar, pois poderão também ser averbadas penalizações nas equipas que as precedem. Na frente do Troféu Mundial de Senhoras, Estados Unidos lideram, seguidos por Austrália e França.
Finalmente, o jovem trio do Team Portugal que alinha na competição de clubes, formado por Lucas Espinha, Salvador Sampaio e Luís Brandão, não tinha ainda a classificação disponível na altura em que escrevíamos estas linhas, e que pode ser consultada em https://www.fim-6days.com.
Declarações dos pilotos
Joana Gonçalves
“Fomos uma das equipas a sair dos últimos lugares, o que dificultou a tarefa porque apanhámos muitos pilotos mais lentos e muito pó, impedindo que dessemos o máximo nas especiais. Apanhei depois uma especial com pouco pó, consegui impor um ritmo mais forte e acabei por terminar o dia entre as dez primeiras, o que foi muito bom. Assim, amanhã já vou sair de um lugar bastante melhor, para tentar melhorar o resultado.”
Ruben Ferreira
“Foi um dia bastante difícil, as especiais estão muito secas e está muito pó. Devido ao resultado que tivemos no ano passado arrancámos cá para trás, o que nos custou caro, pois apanhámos muito pó de quem seguia à frente. Mas fizemos uma corrida segura, sem arriscar, hoje foi só o primeiro dia, sabemos onde podemos melhorar e vamos tentar fazê-lo amanhã.”
Gonçalo Reis
“Este primeiro dia foi muito complicado, com muito pó – acho que nunca tinha apanhado pó assim num Enduro. Amanhã já arrancamos mais à frente e vamos ver o que nos espera. As especiais estão perigosas, por isso é preciso ir com calma nestes primeiros dois dias, e ao terceiro começam os ‘verdadeiros’ seis dias!”
Foto: Estela Araújo
Nota – Tal como no ano passado, esta edição dos Seis Dias poderá ser seguida em streaming em FIM-MOTO.TV, com várias intervenções do paddock e do estúdio ali montado, bem como a transmissão direta da última especial de cada dia.
