O presidente da Câmara de Viseu, cidade que seria a base do Rali de Portugal em 2027, afirmou hoje que “a prova já não se vai realizar”, e, embora lamente, exige ao país uma alternativa.
“Não. Não há Rali de Portugal. Há o Rali da Europa, que é nos Açores. Há classificativas, eventualmente um calendário que possa existir em vários pontos do país, ralis pequenos, mas não há Rali de Portugal, existe outro tipo de classificativas”, assume João Azevedo, referindo-se à possibilidade de a prova não se realizar no próximo ano, depois de ter sido informado pelo ACP, na terça-feira, de que o Rali não integrava o calendário do Mundial em 2027.
O dirigente sustentou que “ontem [terça-feira], o ACP esteve em Viseu para informar” o presidente de que “o Rali de Portugal não acontecia este ano em Portugal, que ia para outra zona do mundo”.
Questionado se a prova se iria realizar na mesma, independentemente de fazer parte do calendário do Campeonato do Mundo (WRC), o autarca afirmou que “não, isso é objetivo” e “não há dúvida nenhuma sobre isso”.
Em fevereiro, o autarca anunciou que Viseu teria uma classificativa da prova e seria a base logística da prova automobilística e, na terça-feira, o ACP informou em comunicado que o Rali de Portugal ia ficar fora do calendário.
“Alteração de última hora força intervalo na presença de um dos mais emblemáticos ralis do campeonato do mundo, admitindo-se regresso em 2028”, podia ler-se na nota enviada pelo ACP.
Depois de ler o documento, que não clarifica quanto à realização em 2027 do Rali de Portugal, o autarca não assumiu se a cidade continuará a ser ou não base da prova, caso esta se realize no ano que vem sem contar para o Mundial, mas que, se for reintegrada em 2028, “Viseu estará, como é óbvio”.
João Azevedo afirmou hoje aos jornalistas que Viseu “não fez nenhum investimento financeiro, foi humano, de trabalho, ou seja, as equipas trabalharam muito neste projeto”, nomeadamente as da Câmara e das entidades da organização, disse.
“Foram muitas horas de trabalho e, mais do que isso, é o prejuízo para o país e o país tem de reagir a isto. E lanço um desafio ao país que é arranjarmos uma solução alternativa para a região centro”, disse.
O autarca adiantou que, atualmente, “o Algarve tem uma grande prova desportiva, que é a Fórmula 1, o Red Bull estará na zona Norte” e, por isso, já terá transmitido essa preocupação ao presidente do Turismo do Centro de Portugal para “rapidamente arranjar uma solução, não para Viseu, mas para a região centro para se conseguir atenuar esta situação”.
O presidente da Câmara de Viseu considerou que esta saída do WRC é de “um prejuízo enorme para o país”, lembrando que foi “uma decisão tomada no último dia”.
O ACP revela ainda que, apesar de já haver data para o próximo ano, entre 13 e 16 de maio, “fruto de alterações feitas pelo promotor no último dia da preparação da próxima temporada do WRC, com o objetivo de a tornar geograficamente tão diversa e intercontinental quanto possível, o Vodafone Rally de Portugal foi uma das provas cuja calendarização foi afetada”.
No comunicado, o organismo acrescenta ter já mantido “as primeiras conversas entre o Automóvel Club de Portugal e o promotor do WRC tendentes à avaliação da possibilidade do Vodafone Rally de Portugal voltar a integrar o Mundial de Ralis em 2028”.
Realizado pela primeira vez em 1967, o Rali de Portugal integrou o WRC desde a sua criação, em 1973, ano em que foi a terceira prova do calendário.
Ao longo das décadas, afirmou-se como um dos eventos mais reconhecidos da modalidade, tendo sido eleito por cinco vezes como o melhor rali do mundo.
Entre 2002 e 2006 esteve ausente do WRC, regressando em 2007 com uma edição disputada no Algarve. Desde 2009, mantém-se de forma ininterrupta no calendário mundial, sob organização do ACP.
Lusa
