Governo quer parceria com privado para montar autocarros elétricos em Moçambique

O Governo moçambicano está à procura de privados para instalar e operar uma fábrica de montagem de autocarros elétricos para transporte público, visando reduzir importações, reforçar a mobilidade urbana, criar emprego qualificado e desenvolver capacidade industrial nacional.

O convite para manifestação de interesse, divulgado hoje pelo Ministério dos Transportes e Logística (MTL) e consultado pela Lusa, prevê a implantação de uma “unidade industrial de montagem de autocarros elétricos para o transporte público de passageiros em Moçambique”, apresentada como uma medida estruturante para reforçar a capacidade nacional de provisão de transporte público.

Segundo refere o Governo no documento, a iniciativa visa apoiar a renovação da frota, criar emprego qualificado, desenvolver competências industriais e reduzir a dependência exclusiva da importação de autocarros totalmente montados, ao mesmo tempo que promove a transição energética e soluções de mobilidade mais limpas.

O ministério considera ainda que o projeto deverá permitir a criação gradual de capacidade local para montagem, manutenção, adaptação de veículos, formação técnica, integração de componentes nacionais e prestação de serviços de assistência pós-venda às entidades públicas e privadas que operam no setor dos transportes.

Ao abrigo da Resolução n.º 55/2026, de 17 de julho, acrescenta o aviso, o Governo pretende selecionar, num processo que decorre até 19 de outubro, “um investidor privado, consórcio ou parceiro estratégico” responsável por conceber, financiar, instalar, equipar, operar e desenvolver a futura unidade industrial, num modelo de parceria público-privada (PPP).

A fábrica deverá ser concebida de forma a permitir uma expansão futura para a montagem de outros tipos de veículos e equipamentos, em conformidade com o quadro jurídico e estratégico nacional aplicável ao desenvolvimento industrial e à promoção do investimento privado.

O novo concurso surge poucos dias depois de o mesmo ministério ter divulgado uma manifestação de interesse para um projeto descrito de forma mais abrangente como uma futura unidade industrial de montagem de veículos automóveis.

Nesse anúncio anterior, o Governo indicava que a produção inicial seria dedicada a autocarros, mas admitia diferentes tecnologias de propulsão, incluindo gás natural veicular (GNV), veículos híbridos, elétricos e outras soluções de baixas emissões de carbono consideradas técnica e economicamente viáveis para o país.

A formulação agora adotada restringe o objeto do investimento aos autocarros elétricos para transporte público de passageiros, colocando a eletrificação da mobilidade coletiva no centro da estratégia apresentada pelo executivo.

O lançamento deste concurso representa mais uma etapa de um processo iniciado em junho, quando o Conselho de Ministros aprovou a contratação de serviços de consultoria para estudar os aspetos técnicos, jurídicos, financeiros e institucionais necessários à implementação da futura unidade industrial.

Na ocasião, o Governo justificou a iniciativa com a necessidade de reduzir os elevados custos de aquisição de autocarros no mercado internacional, aumentar a flexibilidade dos operadores na renovação das frotas e promover soluções mais adaptadas às necessidades do país.

O Governo assumiu então que a instalação de uma unidade de montagem poderá reduzir os custos de aquisição dos autocarros em cerca de 40%, além de impulsionar a industrialização, a transferência de tecnologia, a criação de emprego e a substituição de importações.

Segundo o executivo, o projeto deverá igualmente contribuir para o fortalecimento da cadeia de valor nacional associada ao setor dos transportes, criando oportunidades para fornecedores locais de componentes, serviços técnicos e atividades de manutenção especializada.

A intenção de desenvolver uma indústria automóvel em Moçambique tem sido discutida há vários anos. Em março, o Governo revelou que a empresa chinesa SG Automotive Group Co. estava a estudar a instalação de uma unidade de montagem de viaturas no país, incluindo autocarros elétricos, projeto que, segundo informações então avançadas pelo executivo, poderá criar até 3.000 postos de trabalho.

Lusa

Créditos Foto : Aimnews.org

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