Duas provas, dois desfechos completamente antagónicos e muitas lições retiradas. Depois de uma estreia sensacional no FPAK Junior Team de Ralis 2026, com vitória no Rally de Lisboa, os irmãos Leandro Costa e Liliana Costa enfrentaram em Castelo Branco o lado mais duro dos ralis, com uma saída de estrada a colocar fim a uma participação em que a dupla da JG Sport/Joaquim Gameiro discutia o triunfo.
O jovem piloto de Albergaria dos Doze assume que “foi um começo um pouco amargo e doce. Temos a primeira vitória, que mostra o andamento e o potencial para discutir os lugares da frente. Já em Castelo Branco, a desistência foi a parte menos positiva, mas temos agora de saber aproveitar para aprender com o erro e estar fortes em Chaves”.
A vitória no Rally de Lisboa confirmou, logo na estreia, que a dupla tinha argumentos para lutar pelos primeiros lugares. Uma entrada de leão que surpreendeu até os próprios protagonistas, mas que deu também uma importante injeção de confiança ao projeto: “Não estávamos à espera de uma entrada de época tão boa, mas isso mostrou bem o potencial que temos enquanto equipa, juntando um jovem piloto à experiência da navegadora”, sublinha Leandro Costa, valorizando o papel da irmã Liliana Costa no habitáculo do Peugeot 206 Rallye 6.
Em Castelo Branco, apesar do abandono, a mensagem competitiva voltou a ser clara. A dupla esteve desde cedo na discussão pelos lugares cimeiros: “Tentámos estar sempre na luta, perto do primeiro lugar, e até ganhámos um troço. Acabar o primeiro dia em terceiro, a poucos segundos da liderança, mostra bem o andamento competitivo que este ano estamos a apresentar no FPAK Júnior Team.”.
A saída de estrada em Castelo Branco deixou naturalmente marcas, mas também serviu como ponto de aprendizagem. Leandro Costa reconhece a exigência do Peugeot 206 Rallye 6 e a facilidade com que, num rali rápido, a fronteira entre o ritmo competitivo e o excesso pode ser ultrapassada: “No momento, o que estava previsto não era ir ao ataque. Íamos a sentir-nos bem dentro do carro, mas, como disse desde o início, este carro é muito fácil de passar do limite. Depois do acidente já vimos o que correu mal e agora temos de melhorar para voltar mais fortes”.
A frustração foi inevitável, sobretudo porque a dupla estava claramente envolvida na luta pelos lugares da frente. Ainda assim, Leandro Costa encara o abandono como parte do processo de crescimento: “Não é nada bom abandonar uma prova, ainda por cima quando se está a disputar um rali e um troféu. É óbvio que fiquei abalado e desmoralizado, mas isto não é o fim. Temos de aprender com o erro para ficarmos melhores”, assume.
Entre Lisboa e Castelo Branco, o jovem piloto retirou já conclusões importantes sobre gestão de ritmo, confiança nas notas e adaptação ao carro. Num troféu tão equilibrado, onde todos competem em igualdade de condições, a margem de erro é reduzida e cada pormenor assume peso decisivo: “O carro é exigente e a gestão de ritmo é complicada de perceber, mas quero chegar lá o mais rápido possível. A confiança nas notas passa por sabermos que fizemos um bom trabalho de reconhecimentos e por saber que a navegadora não falha”.
A ligação com Liliana Costa continua a ser um dos pilares do projeto. Mais experiente nos ralis, a navegadora tem desempenhado um papel essencial na evolução da dupla, quer na preparação das provas, quer na confiança transmitida dentro do carro: “A experiência dela tem sido importante porque, quando tenho uma dúvida numa nota, ela já sabe o que fazer ou o que dizer, e isso traz logo mais confiança. De Lisboa para Castelo Branco fomos afinando alguns pormenores dos dois lados para nos sentirmos mais confiantes”, afirma.
A componente familiar do projeto, com a JG Sport/Joaquim Gameiro como base estrutural, torna esta caminhada especial, mas também mais exigente. Leandro reconhece que representar uma equipa familiar aumenta o sentido de responsabilidade: “É especial, sendo que esta equipa já vem da altura do nosso pai, mas a responsabilidade ainda é maior”. O apoio de Hélder Costa, pai da dupla e diretor da equipa, tem sido também decisivo nesta fase inicial: “Ele dá sempre a sua opinião, o que faz com que possamos perceber melhor algumas coisas e o que se deve ou não fazer”.
Agora, com o Rali da Água no horizonte, a prioridade passa por recuperar confiança, consolidar aprendizagem e voltar a competir com cabeça fria, mas sem perder a garra que já levou Leandro e Liliana Costa ao triunfo na estreia: “O importante neste momento é voltar a ganhar confiança. Depois os resultados aparecem. Podem esperar um regresso cheio de vontade de aprender e, se possível, ganhar. Mas sempre com a cabeça no lugar, para conseguirmos acabar o resto da época sem problemas”.
Leandro Costa faz ainda questão de deixar uma palavra de agradecimento a todos os que acompanham e apoiam este projeto: ”O apoio deles é fundamental para continuarmos a evoluir e a lutar pelos nossos objetivos. Vamos dar tudo em cada prova para retribuir essa confiança”.
