A fabricante automóvel chinesa BYD, maior vendedora mundial de veículos elétricos, aumentou os lucros em 30% entre abril e junho, a primeira subida em cinco trimestres, num contexto de fraqueza do mercado interno que tornou as exportações prioritárias.
Segundo cálculos efetuados com base nas contas apresentadas na sexta-feira à noite à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa registou no segundo trimestre um lucro líquido atribuível de cerca de 8.241 milhões de yuan (cerca de 1.057 milhões de euros).
As vendas no estrangeiro cresceram 33,9%, para o equivalente a 26.947 milhões de dólares (cerca de 23.248 milhões de euros), e representaram 52,6% do total, enquanto as vendas na China caíram 30,7%, levando a faturação operacional total a recuar 7,1%.
“Apesar da fraqueza das vendas na China, o lucro trimestral da BYD poderá representar um impulso para o setor automóvel chinês. As vendas no estrangeiro poderão aumentar, tirando partido da sua força tecnológica e produtiva”, afirmou Ivan Li, analista da Loyal Wealth Management, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.
Segundo o jornal, apenas no segundo trimestre, a BYD aumentou em 82,5% as vendas de veículos no estrangeiro, para mais de 471.000 unidades.
Nas contas apresentadas, a fabricante descreveu uma conjuntura marcada por “uma fase de profundos ajustamentos e divergências, caracterizada por uma procura fraca a nível nacional e um sólido crescimento das exportações”, acrescentando que “continuará a reforçar a dinâmica de crescimento no estrangeiro”.
Perante uma conjuntura marcada, no mercado interno, pela fraca procura, excesso de capacidade produtiva e forte concorrência, que resultou numa prolongada guerra de preços, muitos fabricantes chineses de veículos elétricos procuraram mercados alternativos.
A expansão levou também à imposição de tarifas em mercados como os Estados Unidos ou a Europa, perante preocupações com o impacto dos fabricantes chineses na quota de mercado dos produtores locais.
Em resposta, empresas como a BYD, SAIC, Leapmotor e Chery estão a optar pela abertura de fábricas locais, que lhes permitem contornar as novas tarifas, embora críticos apontem que algumas destas unidades funcionam sobretudo como linhas de montagem de componentes produzidos na China.
Segundo estimativas do banco de investimento norte-americano JPMorgan, a margem líquida de lucro dos fabricantes chineses por cada veículo vendido na China continental é de apenas cerca de 744 dólares (641 euros), enquanto nos mercados estrangeiros esse valor pode ser quatro vezes superior.
Esta semana, na sequência da maior recolha de veículos para reparação da história do país, as autoridades chinesas anunciaram ainda uma campanha de um ano destinada a reforçar a segurança e a qualidade dos automóveis.
A associação do setor alertou que as guerras de preços poderão resultar numa redução da segurança e da qualidade dos veículos.
Lusa
Créditos Foto : Auto.PT
