Volkswagen admite novas medidas de poupanças perante corte de mais de 100 mil empregos

O presidente executivo (CEO) da Volkswagen defendeu hoje novas medidas de poupança no grupo, perante a possibilidade de cortar mais de 100.000 postos de trabalho a nível mundial e encerrar fábricas.

“Precisamos de reduzir a complexidade, simplificar as nossas estruturas de forma coerente e reduzir os custos”, afirmou Oliver Blume durante uma reunião com os trabalhadores na sede do grupo, em Wolfsburg (Alemanha), segundo os meios de comunicação alemães.

Segundo o responsável, “toda a indústria está sob uma enorme pressão” devido às políticas aduaneiras, aos novos concorrentes e aos riscos geopolíticos.

O grupo Volkswagen, ao qual pertencem marcas como Volkswagen, Audi, Porsche e Seat/Cupra, iniciou um processo de reestruturação e anunciou, em dezembro de 2024, planos para cortar 50.000 postos de trabalho na Alemanha.

Nos últimos meses, Blume defendeu a necessidade de reduzir mais 50.000 postos de trabalho, duplicando o número antes anunciado e encerrar quatro fábricas na Alemanha.

A presidente dos conselhos gerais e de grupo de trabalhos da Volkswagen, Daniela Cavallo, criticou os números avançados pelo CEO, considerando que os 50.000 despedimentos adicionais são um valor calculado teoricamente para melhorar a imagem da empresa nos mercados financeiros.

“Não se pode trabalhar com um presidente executivo que não diz aos seus funcionários o que têm de fazer!”, afirmou, criticando a ausência de um plano concreto.

Ainda assim, Blume reconheceu que as quotas de mercado do grupo estão a crescer, mas ainda não é suficiente.

Segundo o CEO, os custos do Grupo Volkswagen não relacionados com a produção automóvel são 30% superiores aos de empresas comparáveis.

“Na perspetiva atual, aproximadamente metade dos ajustamentos necessários diz respeito à Alemanha e a outra metade a nível internacional, num total de cerca de 170 empresas”, acrescentou.

Blume alertou ainda que, caso a empresa mantenha a atual estrutura na Alemanha, enfrentará “uma desvantagem permanente de cerca de 1.500 milhões de euros por ano”.

“É precisamente por isso que estamos sob uma enorme pressão para agir”, sublinhou.

A reunião em Wolfsburg é a primeira de uma série de encontros com trabalhadores de várias fábricas, durante os quais Blume deverá responder às questões dos funcionários.

De acordo com a televisão alemã ZDF, o encontro de hoje ficou ainda marcado por protestos dos trabalhadores contra os planos de poupança.

Lusa

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