António Henriques e Pedro Campas vencem na Unlimited, Rodrigo Santos e Luís Cardoso triunfam na X-Treme e Luís Silva e Carlos Grilo dominam a Promoção.
No Masters XL, o vencedor aproximou-se dos 200 quilómetros percorridos
O CISET 4×4 Couço 2026 regressou à frente ribeirinha junto à Ponte de Santa Justa para cumprir uma das jornadas mais características de toda a temporada. O cenário mudou em relação às provas de montanha, mas a exigência permaneceu intacta: areia, lama, fundos instáveis, obstáculos naturais e sucessivas travessias do rio Sorraia voltaram a colocar pilotos, navegadores e máquinas perante um desafio completo.
O Sorraia ocupa um lugar especial na história do CISET 4×4. É um dos cenários icónicos do troféu e, pela combinação entre competição, rio e paisagem, um dos locais mais singulares do Trial 4×4 nacional e até europeu. Mesmo com um nível de água relativamente baixo, o leito continuou a esconder trajectórias traiçoeiras, zonas profundas e pisos capazes de mudar de volta para volta.
A edição de 2026 esteve, por isso, ao nível habitual do Couço: dura e molhada.
Prólogo abre a competição junto ao rio
A competição começou no final da tarde de sábado com um prólogo relativamente simples, disputado num circuito curto desenhado na frente de rio. O formato permitiu ao público acompanhar de perto as primeiras passagens, ao mesmo tempo que definiu a pontuação inicial para a classificação conjunta do fim-de-semana.
Na Unlimited, António Henriques e Pedro Campas foram os mais rápidos, completando as três voltas em 5m07,580s. Rafael Gomes e Rafael Freire ficaram na segunda posição, com 5m20,600s, enquanto Vítor Matos e Rodrigo Matos terminaram no terceiro lugar, com 5m38,745s.
A X-Treme começou com a vitória de Emídio Bastos e Rafael Bastos, que completaram o percurso em 6m37,416s. Nuno Silva e Jorge Gonçalves ficaram a pouco mais de quinze segundos, enquanto Luís Matos e Nuno Contins fecharam os três primeiros. Rodrigo Santos e Luís Cardoso conseguiram completar apenas uma volta, resultado que tornaria ainda mais expressiva a recuperação realizada no domingo.
Na Promoção, onde foram contabilizadas duas voltas, Luís Silva e Carlos Grilo começaram o fim-de-semana na frente, com 3m49,670s. Fábio Almeida e Hugo Sobreiro terminaram em segundo, seguindo-se Carlos Cunha e Tomás Cunha.
Resistência mistura obstáculos, rio e velocidade pura
O domingo trouxe o verdadeiro teste do Couço. O percurso combinou obstáculos técnicos, travessias sucessivas do Sorraia e uma extensa zona seca onde as viaturas puderam explorar a velocidade pura.
A alternância entre estes sectores obrigou a uma gestão cuidada do esforço. As zonas rápidas castigavam transmissões e suspensões, enquanto o rio exigia leitura do terreno, escolha precisa da trajectória e capacidade para reagir perante os fundos móveis.
Na Unlimited, António Henriques e Pedro Campas confirmaram o andamento mostrado no prólogo. A dupla completou 20 voltas em 4h01m33,953s, vencendo a resistência com duas voltas de vantagem sobre Adriano Santos e Elsa Henriques. António Moreira e Diogo Oliveira terminaram em terceiro, com 16 voltas.
A corrida da X-Treme foi particularmente equilibrada. Rodrigo Santos e Luís Cardoso completaram sete voltas em 3h00m21,834s, garantindo a vitória por apenas 1m31s sobre Emídio Bastos e Rafael Bastos, que terminaram igualmente com sete voltas. Nuno Silva e Jorge Gonçalves ficaram no terceiro lugar, com cinco voltas.
Na Promoção, Luís Silva e Carlos Grilo voltaram a impor o seu ritmo. Completaram dez voltas em 2h09m56,910s, à frente de Carlos Cunha e Tomás Cunha, com oito, e de Fábio Almeida e Hugo Sobreiro, com quatro.
António Henriques e Pedro Campas vencem na Unlimited
A soma dos resultados do prólogo e da resistência confirmou a vitória de António Henriques e Pedro Campas na categoria Unlimited. A dupla alcançou a pontuação máxima nas duas fases da competição e terminou o CISET 4×4 Couço 2026 com 650 pontos.
Adriano Santos e Elsa Henriques ficaram no segundo lugar, com 604 pontos, enquanto António Moreira e Diogo Oliveira completaram o pódio, com 588 pontos.
Luís Santos e Paulo Amaro terminaram em quarto, seguindo-se Paulo Matias e Afonso Madeira, Carlos Gomes e Nuno Silva, Vítor Matos e Rodrigo Matos, Rafael Gomes e Rafael Freire, e Gustavo Berna e Nelson Wolf.
Recuperação dá vitória a Rodrigo Santos e Luís Cardoso
Na X-Treme, Rodrigo Santos e Luís Cardoso transformaram um prólogo condicionado numa vitória final. Depois de completarem apenas uma volta no sábado, venceram a resistência de domingo e somaram 641 pontos, garantindo o primeiro lugar.
Emídio Bastos e Rafael Bastos terminaram na segunda posição, com 625 pontos, enquanto Nuno Silva e Jorge Gonçalves fecharam o pódio com 597 pontos.
Luís Matos e Nuno Contins terminaram em quarto, seguindo-se Luís Silva e Lígia Romão.
Luís Silva e Carlos Grilo dominam a Promoção
A categoria Promoção teve um vencedor claro. Luís Silva e Carlos Grilo lideraram o prólogo, venceram a resistência e concluíram a jornada com 650 pontos.
Carlos Cunha e Tomás Cunha alcançaram a segunda posição, com 619 pontos, enquanto Fábio Almeida e Hugo Sobreiro terminaram em terceiro, com 597 pontos. Marco Bento e José Sobral completaram a classificação da categoria.
Masters XL leva o Trial 4×4 para uma nova dimensão
As competições Masters foram disputadas como provas extratroféu, sem influência nas classificações do CISET 4×4.
O Masters XL, destinado às categorias Unlimited e X-Treme, apresentou uma resistência excepcionalmente longa, concebida como um verdadeiro desafio à preparação física dos participantes, à fiabilidade das máquinas e à capacidade de manter um ritmo competitivo durante várias horas.
Desafios desta dimensão continuam a ser pouco comuns no nosso país e, tanto quanto foi possível apurar, o formato poderá mesmo ter sido inédito no Trial 4×4 nacional.
Luís Santos e Paulo Amaro venceram o Masters XL depois de completarem 38 voltas em 8h08m26,637s. A distância total aproximou-se dos 200 quilómetros, um valor verdadeiramente extraordinário para viaturas preparadas para Trial 4×4, submetidas durante mais de oito horas a travessias de rio, obstáculos, areia, lama e sectores rápidos.
António Moreira e Diogo Oliveira terminaram em segundo, com 33 voltas, enquanto Paulo Matias e Afonso Madeira completaram o pódio, com 30 voltas. Adriano Santos e Elsa Henriques alcançaram a quarta posição, depois de percorrerem 28 voltas.
Seis horas de resistência na Promoção
A classe Masters, reservada à Promoção, prolongou a competição durante cerca de seis horas.
Luís Silva e Carlos Grilo voltaram a ocupar o primeiro lugar, completando 29 voltas em 6h00m16,320s. Carlos Cunha e Tomás Cunha terminaram em segundo, com 25 voltas, enquanto Fábio Almeida e Hugo Sobreiro ficaram na terceira posição, com 22. Marco Bento e José Sobral completaram a classificação.
O Couço voltou assim a afirmar-se como uma das provas de referência do calendário. O rio Sorraia ofereceu o cenário, a areia e a lama aumentaram a dificuldade e o Masters XL elevou a resistência a uma dimensão raramente vista no Trial 4×4 português.
Quase 200 quilómetros depois, a edição de 2026 deixou uma certeza: junto à Ponte de Santa Justa, uma prova pode começar como Trial e terminar quase como uma expedição.
O CISET 4×4 Couço 2026 foi organizado pela Associação Portuguesa de Trial Extremo, em colaboração com a Junta de Freguesia do Couço, entidade coorganizadora.
O Troféu CISET 4×4 é promovido pela X-Adventure, sob a égide da FPAK, com o apoio da Lucrofusão, Rafael & Gomes, Ziggaworks, Motorin e M
