Balanço da participação no “Rallye das Camélias 2026” da Jet Motorsport – o sabor agridoce, a espectacularidade da prova e um Rally inesquecível

A equipa de competição Jet Motorsport, sediada no concelho de Mafra, e que tripula o já habitual Volkswagen Corrado G60, apresentou-se à partida de mais um rali, desta vez o “Rallye das Camélias 2026”, do qual fez um balanço desportivo algo agridoce, mas que em relação ao rali em si, regressou a Mafra de coração cheio.

No meio de toda a panóplia de diferentes carros e equipas, o já conhecido Volkswagen Corrado G60 da equipa mafrense Jet Motorsport, não faltou à chamada e apresentou-se para mais uma edição desta prova, da qual já é um paricipante habitual. Piloto, navegador e carro conseguiram finalizar a prova num resultado que reconhecem como bom, mas que não evitou um sentimento de frustração, do ponto de vista desportivo, pese embora uma satisfação plena com a organização da prova, com o traçado, e com a quantidade de público que assistiu ao evento.

Os resultados desportivos foram os possíveis, com a equipa do VW Corrado a conquistar um honroso 22.º lugar à Geral Absoluta (em 52 admitidos à partida), bem como o 3.º lugar da sua classe. Algo que, nas palavras do piloto, trouxe um sentimento agridoce: “ficamos obviamente contentes com o resultado. Para um carro que está praticamente de origem, ficar acima do meio da tabela à geral, é sempre algo que nos alegra. Mas se olharmos para os nossos resultados e a comparação com os adversários directos na nossa classe, é óbvio que gostaria de ter feito mais. Mas não foi possível. Os nossos adversários têm carros com outra preparação, e nós desde cedo percebemos que as nossas hipóteses eram escassas. Mas nesse ponto, só posso dar os parabéns ao Rui Ferreira, que ganhou a classe, e que conheci pessoalmente dois dias antes do Rali, num almoço que partilhámos, em que saboreámos um belo cozido juntamente com outros pilotos. Porque para mim os Ralis também são isto – o poder disfrutar dentro e fora das PECs, com amigos que partilham uma mesma paixão. O Rui tem melhor carro, fez uma prova melhor, e eu saúdo isso e só posso dar-lhe os parabéns! .” Questionado sobre as razões para este resultado, o piloto foi claro: “aqui não pode haver grandes ilusões. Há sonhos, uns tornam-se realidade, outros nem por isso. O nosso carro, pese embora toda o esforço de preparação, está praticamente de origem. Temos uma suspensão que não é apropriada para Ralis, a electrónica do carro tem 33 anos, e a caixa de velocidades é uma caixa original de estrada. Eu procurei, juntamente com o João, fazer o melhor possível sem partir o carro. Tentei chegar o mais próximo do limite, mas sem correr riscos desnecessários. Nunca consegui «sentir devidamente» o carro, tenho de assumir. Há um permanente sentimento de que a traseira «se vai passar», como efectivamente se passou algumas vezes, e isso mexe logo com a parte psicológica. ”

O sentimento do piloto acaba por explicar o péssimo resultado numa das PECs do Rali, a classificativa de Monte Bom, conforme o mesmo detalhou: “logo na segunda curva, uma direita que deveria ser simples, o carro atravessou-se todo. Quando tentei compensar, a traseira voltou a fugir para o outro lado. Durante dois terços da classificativa, ficámos com a sensação que tínhamos furado os dois pneus de trás. Só quase no final da PEC percebi que não era isso, e sim uma falta de «grip», conforme outros pilotos confirmaram mais tarde, no reagrupamento. Claro que ficámos em últmo nesse troço, o que afundou ainda mais as nossas expectativas em relação à tabela classificativa. Durante o resto do rali, tentei melhorar, e até acho que o consegui em certos momentos, mas tenho de me resignar ao facto de que corro com um carro que está praticamente de origem, e que não me deixa fazer muito mais sem correr riscos elevados”.

O navegador da equipa, João Santos, corroborou as palavras do piloto, e deu ainda a sua visão sobre a prova: “tivemos neste rali alguns percalços. A PEC de Monte Bom foi um desses momentos, perdemos imenso tempo e ficámos mais distantes de um melhor lugar à geral. No global gostei muito do rali, mas fiquei algo triste por não termos conseguido mais.”. Do ponto de vista do carro em si, e tirando uns pequenos problemas prontamente resolvidos, a prova correu de forma tranquila, o que não inibiu o piloto de louvar o desempenho da sua equipa, de forma efusiva: “seria importante perceber que a nossa equipa de assistência não é uma equipa «profissional», no sentido financeiro da palavra. São amigos e familiares que abraçaram o projecto desde o início, e que hoje conseguem fazer uma assistência verdadeiramente «à mundial», tendo como única contrapartida a minha amizade e eterna gratidão. Curvo-me perante a grandeza destes amigos e familiares que do nada fizeram e continuam a fazer tudo. E isso só me pode encher de orgulho!”.

No que respeita à prova em si, o piloto foi mais expansivo e não se poupou nos elogios: “O CMS está, novamente e como habitual, de parabéns. Perante as intempéries que todos conhecemos, poderiam ter deitado a toalha ao chão. Mas não o fizeram. Foram resilientes, persistentes, e solicitaram desde cedo o apoio das equipas, que foi plenamente correspondido. O traçado da prova, as iniciativas associadas, das quais destaco as especiais de Almargem do Bispo, fizeram desta prova uma referência a nível nacional em termos de excelência e paixão pelo desporto motorizado! Uma verdadeira festa dos Ralis! Só podemos sentir um enorme orgulho em termos podido participar. E, no que respeita ao meu projecto e ao meu carro, e num contexto em que temos algumas provas em que só os «carros de fábrica» são valorizados, só posso enaltecer o carinho com que fomos aqui recebidos, desde o primeiro minuto. Há muito boa gente por esse país fora que deveria pôr os olhos nesta prova, nesta organização, e tirar daí importantes lições.”.

Em relação a próximas provas, o piloto, que é também o responsável da equipa, foi explícito: “Temos algumas provas no nosso plano, vamos agora recuperar algumas pequenas mazelas no nosso carro, e vamos prosseguir. Não existe margem orçamental para evoluir o carro, pelo que a toada será muito semelhante a esta prova. Chamam-me «gentleman driver», o que aceito com muita naturalidade. Não consigo fazer mais, vou à luta com o que tenho – um pequeno projecto, um pequeno orçamento, mas uma vontade e uma paixão enormes!”, referiu Cristiano Santos.

A Jet Motorsport agradece aos seus parceiros e patrocinadores, por todo o apoio permanentemente prestado, bem como a todos os órgãos de comunicação social que têm ajudado a dar visibilidade a este modesto projecto de competição automóvel.

Enviar Comentário

Scroll to Top

Newsletter

Subscreva a Nossa Newsletter e fique a par de todas as notícias, sobre o desporto motorizado.

Newsletter