- Francês volta a vencer em Portugal 17 anos depois
- Luta até ao fim dita vitória de Sanders nas motos
Sébastian Loeb é um dos mais bem-sucedidos pilotos de ralis da história, com nove títulos mundiais e, curiosamente, a última das suas duas vitórias no Rally de Portugal foi conquistada no Algarve, em 2009. 17 anos depois, o francês volta a vencer uma prova organizada em Portugal, desta feita aos comandos de um Dacia Sandrider, no Campeonado do Mundo de Todo-o-Terreno. Nas duas rodas, Daniel Sanders repete vitória de há seis meses, desta vez à frente de Tosha Schareina e Adrien Van Beveren. A armada lusa, encabeçada por João Ferreira e Bruno Santos, defende com brio as cores nacionais no Mundial de todo-o-terreno.
No final dos 98 quilómetros do primeiro setor seletivo do dia, a dupla Sébastian Loeb/Edouard Boulanger (Dacia) perdeu 24 segundos para os companheiros de equipa, Lucas Moraes e Dennis Zenz (Dacia) – primeiros classificados no setor seletivo – mas manteve-se firme na liderança, que nunca chegou a ser verdadeiramente ameaçada por Seth Quintero/Andrew Short (Toyota) ou por João Ferreira/Filipe Palmeiro (Toyota). O pódio final do bp Ultimate Rally-Raid Portugal terminou nesta ordem com os três primeiros separados por 3m37s.
À chegada, o vencedor Loeb recordava tempos idos: “foi um bom rali para mim, com boas memórias do passado. Vivemos bons momentos em Faro, nos ralis. [A prova] não foi fácil nestas pistas muito técnicas, com estes carros muito grandes, mas as sensações foram boas com o carro a funcionar bastante bem. Somámos muitos pontos para o campeonato e o resultado foi o melhor que podíamos esperar”, rematou.
Bastante aplaudido pelo público nacional, que gosta de ver pilotos ao ataque, Seth Quintero era pragmático no final, destacando como positivo o facto de ter terminado atrás de Loeb: “é positivo ter uma boa prova aqui em Portugal, sítio que adoro. Tive alguns azares nos últimos dois anos, e desta vez também tive azar. Mas se ter azar significa ficar em segundo, então foi um bom rali”, declarou.
Depois de ter passado grande parte do tempo ao ataque, João Ferreira refletia sobre a classificação: “[o terceiro lugar] não era a ambição que trazia, mas fazer um pódio em casa sabe sempre bem. E com isso acumulámos muitos pontos importantes para o campeonato”, rematou o português.
Pinto ganha nos Challenger e Barbosa triunfa entre os SSV
Na categoria Challenger, Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira (Taurus) voltaram a vencer nas pistas e assim selaram o primeiro lugar à frente da dupla Charles Munster/Xavier Panseri (KTM). No cair do pano, Pedro Gonçalves e Hugo Magalhães (Taurus) resvalaram para quarto lugar, com Rui Carneiro e Fausto Mota (KTM) a assumir o terceiro posto. Entre os concorrentes dos SSV, Miguel Barbosa e Joel Lutas (Polaris) defenderam com brio a liderança, à frente de João Monteiro e Nuno Morais (Can-Am) e de Jeremias Gonzalez e Gonzalo Rinaldi (Can-Am), segundos e terceiros, respetivamente.
Nos todo-o-terreno Stock, o “Senhor Dakar” Stéphane Peterhansel (Defender) foi o vencedor, à frente de Rokas Baciuska (Defender) e Sara Price (Defender). O francês vence pela primeira vez na categoria e junta a prova nacional ao palmarés de luxo.
Sanders apaga tocha de Schareina
Com uma vantagem de 1m46s sobre Tosha Schareina (Honda), Daniel Sanders (KTM) arrancou para as pistas do último dia atrás do espanhol, mas depressa ganhou tempo no setor cronometrado e selou a vitória à geral. De faca nos dentes, ambos deixaram a concorrência no pó, com Adrien Van Beveren (Honda) em terceiro, a mais de dois minutos. A prestação do francês é, ainda assim, impressionante se nos lembramos que sofreu aqui um grave acidente há seis meses, sendo este o seu primeiro pódio, desde então.
Sanders encerrou a contabilidade com 1m56 de vantagem sobre Schareina e reforçou as estatísticas a favor dos dois pilotos que continuam a ser os únicos vencedores do bp Ultimate Rally-Raid Portugal desde que a prova foi criada, em 2024.
No fecho desta edição, o grande vencedor, Daniel “Chucky” Sanders, sorria de contentamento: “foi mais uma etapa longa, [disputada] nos trilhos escorregadios nas montanhas, onde estava a lutar pela vitória na etapa com o Tocha e por isso tive de puxar até ao fim. Foi uma corrida muito dura em condições difíceis, mas foi bom regressar aos triunfos depois da lesão no Dakar”, declarou o australiano. Já Schareina mostrava-se conformado com o segundo lugar: “foi divertido. Eu e o Sanders puxámos até ao fim, e este segundo lugar não foi fácil depois de tantos quilómetros. Estou feliz por mim e pela equipa”, rematou o espanhol.
Confirmando o terceiro posto, Van Beveren declarou-se feliz pelo esforço: “foi bom. Diverti-me imenso. Gosto deste terreno, gosto de Portugal e das pessoas, por isso estou muito feliz. Em setembro acabei numa ravina e por isso terminar no pódio seis meses depois é muito bom”, concluiu o francês.
Passando grande parte do bp Ultimate Rally-Raid Portugal a imiscuir-se na luta pela geral, Bruno Santos (Husqvarna) ressentiu-se dos danos provocados pela queda do dia anterior, tendo ficado sem embraiagem logo ao início do setor seletivo da manhã. Mesmo assim, o homem da Husqvarna conseguiu segurar a liderança em Rally2 e o quarto lugar da geral. Martim Ventura (Honda) faz segundo na categoria e Neels Theric (Kove) garante o terceiro lugar. O francês obteve o primeiro pódio de sempre no Campeonato do Mundo de Todo-o-Terreno para a marca chinesa Kove, que veio a Portugal com o intuito de desenvolver a sua moto em terreno desconhecido.
Em Rally3, Gonçalo Amaral (Honda) garante a vitória na categoria que dominou de princípio a fim, e na qual apenas o seu irmão Salvador Amaral (Honda) e Murun Purevdorj (KTM) lhe fizeram frente. Na contabilidade dos Quad, Antanas Kanopkinas (CFMoto) foi declarado vencedor do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, depois do colega de equipa Adomas Gancierius ter sido penalizado em mais de uma hora na véspera, por ter chegado tarde ao bivouac com problemas de transmissão.
Portugal promove mexidas no Campeonato do Mundo de TT
Na tabela classificativa do Mundial de TT, Loeb ultrapassa Ekstrom em segundo, enquanto Al-Attiyah mantém a primeira posição. Com os pontos acumulados no bp Ultimate Rally-Raid Portugal, e o facto de a Ford não ter pontuado, a Dacia vê-se assim ainda mais firme no topo da classificação.
Nas motos, a Honda beneficiou com as pontuações de Schareina e Van Beveren, para subir no Campeonato do Mundo de Todo-o-Terreno, enquanto que nem mesmo uma prestação abaixo do esperado – com o nono lugar conquistado – foi suficiente para destronar o argentino Luciano Benavides do topo da tabela. Daniel Sanders é agora segundo, por troca com Ricky Brabec.
