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» A época de 2022 tem sido particularmente intensa, mas também bem-sucedida para a Veloso Motorsport, que tem acumulado pódios e vitórias nos dois lados da fronteira.
» Luís Veloso, que fundou a equipa histórica portuguesa em 1991, destaca bons resultados dos seus pilotos em diferentes campeonatos de Velocidade e Montanha.
Pergunta: Esta é a 32.ª época consecutiva da Veloso Motorsport, algo que não é fácil de encontrar no automobilismo ibérico e não só. Como é que se consegue esta consistência ao longo de mais de três décadas?
Luís Veloso: Sobretudo com muita dedicação e paixão pelo que fazemos, todos os dias. Em última análise, os pilotos são os grandes responsáveis por todas as vitórias e títulos que alcançámos ao longo destes anos, mas a equipa é sempre formada por pessoas que dão o máximo para que estes resultados em pista sejam possíveis. Tenho orgulho na equipa e nas pessoas que trabalharam comigo ao longo destas 32 épocas, sobretudo porque o automobilismo é um desporto duríssimo, que exige muita resiliência e capacidade de resolução de problemas.
P: O certo é que este ano a equipa está a discutir o título em quase todos os campeonatos e categorias que disputa, inclusive em Espanha…
LV: Sim, têm sido meses muito intensos mas, globalmente, com excelentes resultados. Em Espanha, no GT-CER, uma campeonato que já conquistámos no passado, estamos na frente tanto nos GT, com o Francisco Mora e o Francisco Abreu, como nos Turismos (Resistência), com o Pedro Silva e Jorge Silva. Nos GT, há inclusive carros mais competitivos do que o nosso Porsche, mas o talento dos pilotos e o sistema de pontuação do campeonato tem permitido equilibrar essa realidade. O Pedro (Silva) e o Jorge (Silva) também estão a fazer uma excelente época, porque não tinham experiência internacional e estão na frente do Turismos, ao mesmo tempo que descobrem muitas das pistas do campeonato. Agora vamos para outra realidade, que são as corridas de duas horas, a começar por Jerez, mas estou confiante.
P: Na Velocidade em Portugal, a equipa está novamente na frente da GT3 Cup, e na luta pelo título tanto no Campeonato de Portugal de Velocidade, como no Kia Picanto GT Cup. Como tem sido a temporada em campeonatos tão diferentes?
LV: No CPV, ainda estamos dependentes da decisão quanto à corrida que ganhámos em Vila Real, mas o Patrick Cunha e o Jorge Rodrigues têm feito um excelente trabalho na primeira época com o Audi R8 LMS GT4. Foi pena o problema que sofremos na Corrida 1 de Portimão, porque podíamos sair do Algarve na frente do campeonato, e o pneu rebentado acabou por danificar bastante o carro e ainda nos impediu de alinhar na Corrida 2. Nessa prova, o Pedro Silva e o Jorge Silva também fizeram uma boa estreia no CPV e devem regressar ao campeonato na última prova da época.
Nos Porsche da GT3 Cup, o Carlos Vieira está novamente na frente do campeonato e já mostrou várias vezes que é o piloto a bater no troféu. O Ricardo Costa foi uma bela surpresa, porque adaptou-se muito rapidamente à Velocidade vindo dos ralis, e até podia ter ganho uma corrida à geral, em Portimão. O Miguel Caetano atualmente está na frente da categoria GD e inclusive em 3.º da geral, com uma grande evolução este ano, tal como o João Posser. E acredito que o José Barros também teria uma palavra a dizer neste campeonato, porque é um jovem piloto vindo dos karts, com muito potencial, mas que teve um problema de saúde.
No Kia GT Cup, o Manuel Alves está a confirmar que tem todas as condições para ir longe na Velocidade. Nós já sabíamos que ele era rápido, mas este ano o Manuel está mais consistente e temos tentado melhorar a afinação do carro para lhe permitir lutar pelo título até ao fim. Ainda está tudo em aberto.
P: Na Montanha, o Pedro Silva, Manuel Sousa e Daniela Marques entraram para a equipa este ano. Como tem sido a progressão destes três pilotos nos Turismos?
LV: Tem sido muito positiva porque eles entraram com o espírito certo, percebendo que podiam aproveitar a experiência da equipa quer em termos de afinações, quer ao nível da evolução da pilotagem. O Paulo Silva está no 2.º lugar dos Turismos 2 e nas posições do pódio dos Turismos à geral, o que nunca é fácil na Montanha. Foi pena o azar que teve na Rampa de Santa Marta, mas vamos tentar recuperar agora no Caramulo e em Boticas. O Manuel Sousa começou bem a época e, entretanto, teve de superar um despiste forte na Covilhã, coisas que fazem parte das corridas. Tenho a certeza que vai voltar a discutir os pódios da divisão. A Daniela Marques também está a fazer um campeonato muito regular, quase sempre no pódio dos Turismos 1 e a evoluir cada vez mais com o Subaru. Entretanto, já tivemos uma estreia absoluta no desporto automóvel, que foi o António Veloso, que descobriu logo algumas das provas mais emblemáticas em Portugal: a Rampa da Falperra, a Rampa de Santa Marta e o Circuito de Vila Real, sempre com bons indicadores. Como equipa, vamos tentar continuar nesta linha de trabalho. Tenho que deixar também uma palavra de apreço para os nossos patrocinadores, que confiam no projeto e que estão connosco em todas estas conquistas. Espero que o final da época nos traga mais vitórias para eles.