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Pelo quarto ano consecutivo, o RallySpirit Altronix voltou a ser uma prova ímpar no panorama do desporto automóvel nacional. Celebrando a paixão pelos carros de ralis, e em particular, por aqueles que ganharam um lugar de destaque na História, a prova juntou cerca de uma centena de equipas, trinta por cento das quais internacionais, que abrilhantaram três dias repletos de emoções fortes. Alimentando o imaginário de milhares de espectadores que puderam “regressar ao passado”, o RallySpirit Altronix foi, também, palco privilegiado de uma competição disputada ao cronómetro. E aí, a estrela convidada, François Delecour, fez valer o seu reconhecido talento e currículo no “Mundial” de Ralis, alcançando uma soberba vitória na Categoria “Spirit”. Já o espanhol Pablo Pazó, assegurou o triunfo entre os “Históricos”.

Com mais de 40 km disputados ao cronómetro, percorrendo belíssimas paisagens entre as cidades de Vila Nova de Gaia e Barcelos, foram três dias de inesquecível glamour, embelezadas por muitos carros míticos, onde, não raramente, os opostos se tocaram. Foi, por exemplo, o que aconteceu com o Ford RS 200 da saudosa era de ouro dos Grupo B e a Renault 4 que disputou provas do “Mundial. Ou seja, voltou a fazer-se história no RallySpirit Altronix…

O RallySpirit Altronix, organizado pela Xikane, com o apoio do Automóvel Clube de Santo Tirso, é já um marco no calendário das competições desportivas nacionais. Com uma moldura de carros sem paralelo, que fazem vibrar pelo colorido, memórias e exibições dos pilotos, a prova voltou a fazer mexer com as emoções do muito público que fez questão de acompanhar o rali aos longo dos três dias.

Desde a cerimónia oficial da partida e da chegada, na marginal de Vila Nova de Gaia e com o Douro em pano de fundo, até à disputa de 10 Provas Especiais, com cronómetro ligado, que ligaram Gaia a Barcelos, passando por zonas míticas como a Franqueira e Coronado, entre outras, viveu-se uma animada festa do automobilismo. Uma prova que atraiu a atenção de muitos adeptos da Galiza, motivados pela presença de vários pilotos espanhóis, como o Campeão de Espanha de Ralis, Iván Ares, que muito espetáculo deu ao volante do Hyundai i20 R5, com que defende o título.

Mas a maior estrela do evento foi mesmo François Delecour. Nome com vasto palmarés no WRC, que fez magia ao volante de Ford Sierra Cosworth 4X4, idêntico ao que somou sucessos na alta roda dos ralis. Colocando em prática toda a sua experiência, o francês desde cedo mostrou para o que vinha. Ao ser o mais rápido em oito das 10 classificativas, acabou por dominar e vencer com à vontade a categoria “Spirit”, com a ajuda simpática navegadora Vàerie Closier.

Contudo, como se depreende das suas palavras, o triunfo não foi o mais importante: “este é um rali diferente, onde a competição é importante, mas onde a envolvência lhe dá um sabor muito mais especial. Como Rally-Legend que é, proporciona um contacto com os amantes deste desporto, numa ambiência de pura descontração que, hoje, é impossível encontrar nos ralis de Campeonato do Mundo ou do Europeu, pela imperiosa formatação que estes têm. Aqui, não há táticas e estratégias complexas e secretas para vencer, ou segredos ocultos nos carros. Só há vontade de tirar o máximo partido do carro e divertir o público com passagens espetaculares. Foi isso que procurei fazer com o Ford Sierra Cosworth 4x4, que nunca foi um carro fácil de guiar, mas que me permitiu recordar outros tempos. A vitória não foi tão fácil como pode parecer pelos números do cronómetro, pois a verdade é que os pilotos portugueses deram lutam e fizeram com que nunca pudesse verdadeiramente descansar”.

No final, Delecour triunfou com uma vantagem de 33,7s sobre a dupla Gonçalo Figueiroa/José Janela. À dupla do Ford Escort MK2 faltou ritmo para acompanhar o piloto, mas não para assegurar o lugar intermédio do pódio, que fez com todo o brilhantismo. Notavelmente competitiva foi a luta pela terceira posição, envolvendo o ex-Campeão do Mundo de Grupo N, Rui Madeira (acompanhado por Mário Castro) e a equipa Eduardo Veiga/Justino Reis, sempre muito rápida no Ford Escort MK2. Um forcing final permitiu que fosse o ex-Campeão do Mundo de Grupo N a vencer o duelo e a assegurar o derradeiro lugar do pódio, precisamente com o mesmo Mitsubishi Lancer Evo III que, há 23 anos, conquistou tão importante título mundial para as cores nacionais.

Igualmente emocionante também foi a disputa pelo triunfo na Categoria “Históricos”, que permitiu definir o outro vencedor oficial do RallySpirit Altronix 2018. A dupla espanhola Pablo Pazó/Jose Gonzales levou um espetacular Talbot Sunbeam Lotus ao primeiro triunfo na prova portuguesa. Aliando a rapidez ao espetáculo, a equipa só pôde descomprimir após os seus compatriotas Eugenio Gonzalez/Noel Portas (Ford Escort MK2) e os portugueses Valter Gomes/Paulo Fiuza (Porsche 911 RSR) terem ficado de fora do “xadrez” da vitória. A melhor equipa nacional acabou por ser, afinal, a constituída por Pedro Couceiro/António Duarte, que levaram o Opel 1904 SR, mais uma vez, até ao segundo lugar, batendo o Mercedes 190 da formação André Pimenta/Paulo Lopes.

Destaque, também, para os concorrentes que participaram na categoria “Show”, que, sem a pressão do cronómetro, se entregaram de “alma e coração” ao espetáculo, ajudando a tornar este evento ainda mais memorável. Como não podia deixar de ser, o espetacular Ford RS 200 do inglês Nigel Mummery, resgatou para si, muito do protagonismo, tornando-se um verdadeiro fenómeno de popularidade pela raridade, mas sobretudo por pertencer à geração de ouro dos ralis mundiais. Estrelas como os Porsche 997 GT3 dos campeões portugueses Adruzilo Lopes e Vítor Pascoal também ajudaram ao espetáculo, que só poderia mesmo ficar completo com a emblemática Renault 4L mundialista, conduzida por António Pinto dos Santos.

Na hora do balanço, Pedro Ortigão da Xikane que, com o apoio do Clube Automóvel de Santo Tirso, levou a cabo o evento, afirmou: “Estamos muito contentes com a quarta edição do RallySpirit Altronix. Ter dois vencedores internacionais é sinal do crescimento da prova e do seu cada vez maior reconhecimento internacional. Mas sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer até termos o prestígio dos mais conceituados Rally Legends europeus. Um objetivo que, não escondemos, queremos atingir no futuro”.

Hora de pensar já na edição de 2019 deste rali, que já se tornou um marco no calendário desportivo nacional e numa verdadeira festa do desporto automóvel.

Classificação Final

Categoria “Spirit”

1º François Delecour/Vaérie Closier (Ford Sierra Cosworth 4x4), 27m31,9s

2º Gonçalo Figueiroa/José Janela (Ford Escort MK2), a 33,7s

3º Rui Madeira/Mário Castro (Mitsubishi Lancer Evo III), a 51,4s

4º Eduardo Veiga/Justino Reis (Ford Escort MK2), a 54,3s

5º José Jorge/Jorge Baptista (Opel 1904 SR), a 1m57,5s

Categoria “Históricos”

1º Pablo Pazó/Jose Gonzalez (Talbot Sunbeam Lotus), 29m19,7s

2º Pedro Couceiro/António Duarte (Opel 1904 SR), a 39,9s

3º André Pimenta/Paulo Lopes (Mercedes 190), a 47,4s

4º Rui Ribeiro/Pedro Fernandes (Ford Escort MK1), a 1m00,7s

5º Rui Salgado/Luís Godinho (Volkswagen Golf II GTI), a 1m10,3s

Vencedor Categoria Spirit François Delecour Ford Sierra Cosworth 4x4